O glaucoma, principal causa de cegueira irreversível no mundo, é uma doença ocular que pode avançar silenciosamente por anos antes de ser diagnosticada. Essa neuropatia óptica progressiva frequentemente associada à elevação da pressão intraocular é considerada um dos maiores desafios da Oftalmologia, demandando diagnóstico precoce para evitar danos permanentes ao nervo óptico. Nesse cenário, a inteligência artificial em Oftalmologia tem se consolidado, no último ano, como uma das principais aliadas. Ao ampliar a precisão, a rapidez e o alcance na detecção da doença, a tecnologia atua especialmente em fases iniciais do glaucoma, quando as alterações ainda são muito sutis.
De acordo com a World Glaucoma Association (WGA), o glaucoma atinge mais de 70 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, estima-se que mais de 1,7 milhão de indivíduos tenham a doença, considerando que cerca de 2% da população acima de 40 anos está em risco. Segundo a Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), estimativas epidemiológicas globais sugerem que aproximadamente 111,8 milhões de pessoas serão portadoras de glaucoma em 2040. Tais números reforçam a urgência de diagnósticos precoces e estratégias de prevenção mais robustas.
Entre os avanços mais recentes para prevenção da cegueira irreversível causada pelo glaucoma estão os software de inteligência artificial, que já são capazes de identificar sinais da doença por meio de uma única imagem de retinografia. Ao analisar a escavação do nervo óptico e as fibras nervosas da retina, essas ferramentas auxiliam na detecção precoce da enfermidade. Para a oftalmologista Amanda Picanço, professora da Afya Centro Universitário de Montes Claros (MG), a inteligência artificial em Oftalmologia já é uma realidade consolidada na prática clínica.
“Com o uso de algoritmos avançados pode-se analisar exames de imagem ocular como retinografia, tomografia de coerência óptica (OCT) e campo visual. Tudo isso com mais agilidade, funcionando como um GPS de alta precisão”, destaca. Na prática, a inteligência artificial em Oftalmologia identifica alterações sutis ainda imperceptíveis ao exame convencional, reduz o tempo de análise e auxilia no diagnóstico precoce. Embora a tecnologia não substitua o médico, amplia sua capacidade diagnóstica trazendo mais agilidade, precisão e alcance populacional.
Diagnóstico precoce
O exame com dilatação da pupila é o método mais eficaz para detectar alterações no nervo óptico e identificar o glaucoma precocemente. Entretanto, mesmo que haja preocupação com a saúde ocular, nem sempre os procedimentos mais indicados são realizados. “O exame com dilatação da pupila permite ao oftalmologista avaliar com mais precisão o formato e o grau de escavação do nervo óptico, identificar alterações iniciais, comparar os achados ao longo do tempo e direcionar melhor a solicitação de exames complementares”, descreve a professora.
Diante das estimativas, os avanços tecnológicos nos diagnósticos são fundamentais para essa doença – conhecida como ‘ladrão silencioso da visão’. “Na maioria dos casos, o glaucoma não provoca sintomas nas fases iniciais. A perda visual geralmente começa de forma sutil, afetando a visão periférica e avançando lentamente ao longo do tempo”, enfatiza a especialista. Quando o paciente percebe alguma dificuldade para enxergar, o dano ao nervo óptico pode já estar em estágio significativo e, infelizmente, a visão que foi perdida não pode ser recuperada.

