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Exames genéticos e laboratoriais

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Projeto investiga EII em crianças hospitalizadas

Escrito por: Fernanda Ortiz

Uma boa investigação para verificar se existe uma causa genética associada é fundamental para um melhor prognóstico quando o sistema imunológico de uma criança não funciona adequadamente, ocasionando quadros infecciosos de repetição e sem resposta a tratamentos. Por isso, há muitos centros de referência do SUS dedicados aos EII, como o Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG) da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Desde 2022, um projeto desenvolvido por médicos e pesquisadores do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe (IPP) e do Hospital Pequeno Príncipe, no Paraná, visa detectar precocemente os erros inatos da imunidade na primeiríssima infância. O objetivo do trabalho é identificar defeitos específicos e ampliar o número de diagnósticos, possibilitando tratamento adequado, suporte à família e menores gastos com saúde. A iniciativa é feita através da análise do quadro clínico e de exames genéticos e laboratoriais de crianças em atendimento de internação no hospital.

Na primeira etapa do projeto, participaram do estudo 156 crianças com idade até 3 anos e 11 meses, internadas no Hospital Pequeno Príncipe com infecções graves ou de repetição. “Para investigar a presença de alterações genéticas, os pacientes foram submetidos a exames que habitualmente não estão disponíveis na rotina”, comenta a diretora de Medicina Translacional do IPP, imunologista e pesquisadora Carolina Prando. No rol de exames estão o sequenciamento de exoma; DHR (dihidrorodamina) para analisar a função dos neutrófilos, responsáveis pela defesa contra patógenos; e as análises laboratoriais TREC e KREC que avaliam, respectivamente, a produção de linfócitos T e B. Além disso, dependendo da idade da criança foi realizada imunofenotipagem expandida, que analisa a presença e o processo de amadurecimento dos linfócitos para identificar a fase do desenvolvimento do sistema imune com alteração.

Os pesquisadores identificaram um caso de síndrome da imunodeficiência combinada grave (SCID), que foi encaminhada para transplante de medula óssea; e erros no gene que codifica a interleucina 10 (IL-10) – citocina anti-inflamatória que pode levar a um desequilíbrio imunológico, contribuindo para o desenvolvimento de doenças inflamatórias intestinais. De acordo com a pesquisadora, essas e outras imunodeficiências identificadas têm prognóstico positivo com acompanhamento de controle adequado. “Uma vez que a maioria dos EII possui fator hereditário, os pais e familiares também foram submetidos a alguns exames. Para nossa surpresa, tivemos 15 diagnósticos positivos em familiares, especialmente em irmãos mais velhos que nunca haviam passado por uma investigação imunológica, mesmo com episódios persistentes”, observa.

Perspectivas – O projeto está na fase de devolutivas com as famílias para informações sobre diagnóstico, possibilidades terapêuticas e a descrição dos cuidados. Para a próxima etapa, os pesquisadores vão reavaliar as crianças que não tiveram diagnóstico fechado na primeira fase da pesquisa, mas apresentaram clínica sugestiva para EII. Nestes casos, o objetivo é investigar se há alterações em outros genes que desempenham funções imunológicas no organismo, mas que ainda não foram atribuídos a uma doença clínica específica. A perspectiva dos pesquisadores é que, a partir do levantamento final dos dados, um novo fluxo de investigação para EII seja desenhado. “A maior contribuição da pesquisa, certamente, será identificar novas alterações genéticas associadas a esses quadros. Isso possibilitará mais agilidade no tempo de diagnóstico e, consequentemente, menos recursos financeiros atrelados ao tratamento”, acentua a pesquisadora Carolina Prando.

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