A esquizofrenia é um transtorno mental grave que altera a forma como um indivíduo pensa, sente e se comporta ocasionando delírios, alucinações e desorganização do pensamento. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 25 milhões de pessoas em todo o mundo são afetadas pela condição, apontada como a terceira principal causa de perda de qualidade de vida entre os 15 e 44 anos de idade. No Brasil, estima-se que cerca 740 mil pessoas convivam com o transtorno – o equivalente a 0,34% da população. A ausência de diagnóstico e tratamento adequados pode agravar o quadro, gerando impactos significativos na qualidade de vida.
Segundo o médico psiquiatra Fernando Tomita, do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), a esquizofrenia é a forma mais representativa das psicoses. “Esse transtorno mental grave provoca uma desestruturação psíquica que leva à ruptura com a realidade”, explica. Ao provocar alucinações ou alteração de percepções, pode ocasionar impactos severos nas relações interpessoais. Com isso, pode levar ao comprometimento do juízo crítico e no senso prático, na capacidade de trabalho e na responsabilidade civil e penal. Sem uma causa totalmente compreendida, acredita-se que a esquizofrenia seja resultado de uma combinação de fatores genéticos, neurobiológicos e ambientais.
Pessoas com episódios psicóticos experimentam o mundo de uma maneira distorcida. Para algumas, sintomas como alucinações, dificuldade para organizar os pensamentos e delírios são passageiros. Em contrapartida, para outras tornam-se estáveis ao longo do tempo. O médico explica que, na presença dos sintomas, o indivíduo tem uma crença falsa e inflexível de que está sendo perseguido, vigiado, zombado ou que possui poderes especiais. “Além disso, pode apresentar uma distorção auditiva da percepção, ou seja, escuta vozes, comentários ou ruídos que não existem”, acentua.
Esse transtorno mental grave pode se apresentar de maneiras distintas. A mais comum é a esquizofrenia paranoide caracterizada pela predominância de delírios persecutórios e alucinações. Outras apresentações incluem a hebefrênica, que gera isolamento social, perda da capacidade de sentir emoções e deterioração global; e a catatônica, em que o paciente se mantém com olhar perdido ou imóvel em uma única posição. Já a indiferenciada engloba características presentes em todos os outros tipos.
Diagnóstico
De acordo com a Classificação Internacional de Doenças (CID-10) da OMS, a esquizofrenia pode se manifestar de diferentes formas, com variações nos sintomas e na maneira como a doença evolui. “O diagnóstico, realizado por um psiquiatra, é feito com base na observação clínica através da avaliação de sintomas e relatos de familiares”, observa o especialista. Não existem análises laboratoriais que confirmem a doença, mas exames podem ser feitos para descartar outras condições médicas com sintomas semelhantes.
Sem cura, porém controlada
Embora seja uma doença crônica e sem cura, há medicações antipsicóticas capazes de controlar os chamados ‘sintomas positivos’ – como delírios e alucinações – e ‘sintomas negativos’, a exemplo da apatia, isolamento e negativismo. As medicações mais modernas têm menos efeitos colaterais, o que facilita a adesão ao tratamento. “Entretanto, a aceitação ainda é um grande desafio em razão da dificuldade que muitos pacientes têm em reconhecer a própria condição”, destaca o especialista. Paralelamente, a terapia cognitivo-comportamental (TCC), familiar ou de apoio desempenha papel fundamental para ajudar o paciente a gerenciar os sintomas e melhorar o funcionamento da vida diária. A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) possui uma série de programas ABP TV sobre a esquizofrenia com objetivo de esclarecer a população e profissionais de saúde sobre a doença.
O que fazer para diminuir o estigma?
- Se informar sobre a esquizofrenia a partir de fontes seguras
- Falar sobre saúde mental em diversos espaços, como escolas, empresas e faculdades
- Ações de psicoeducação com pessoas próximas ao paciente, principalmente familiares
- Conhecer e compartilhar histórias de padecentes da doença que vivem de forma digna por receberem o tratamento adequado
Ouça o podcast Prevalência da esquizofrenia no Brasil

