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Regeneração tecidual

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Benefícios da fotobiomodulação

Escrito por: Fernanda Ortiz

A terapia de estímulo biológico chamada fotobiomodulação utiliza luz vermelha e infravermelha de baixa intensidade para modular processos celulares. Nos últimos anos, a técnica vem ganhando destaque na Medicina regenerativa por seu potencial de ativar mecanismos naturais de reparo do organismo, favorecendo a regeneração tecidual e muscular, a redução da inflamação e a aceleração da cicatrização de forma não invasiva. O crescente interesse pela técnica tem impulsionado uma série de estudos na área. Entre eles, uma pesquisa realizada na Universidade Federal do Ceará (UFC) investigou como a absorção da luz vermelha interfere nas propriedades biomecânicas e proteômicas de células da pele, do tecido conjuntivo e dos ossos.

Com caráter prospectivo, o estudo em cultura celular analisou as respostas biológicas à fotobiomodulação em diferentes modelos celulares, incluindo células tumorais, epiteliais da pele e aquelas envolvidas nos processos de cicatrização e regeneração tecidual. De acordo com o cientista Marcelo Victor Pires de Sousa, professor de Física no Instituto Federal de Sergipe (IFS) e um dos autores da pesquisa, foram utilizadas no estudo as linhagens queratinócitos (células da epiderme), fibroblastos (células do tecido conjuntivo) e osteoblastos (responsáveis pela formação óssea), amplamente empregados na literatura por representarem diferentes contextos biológicos e funcionais. “Após serem expostas à luz vermelha (633 nm), as respostas biomecânicas e proteômicas das células foram analisadas por técnicas avançadas, como microscopia de força atômica (AFM) e espectrometria de massas”, descreve.

Os resultados demonstraram alterações específicas em cada tipo celular nas propriedades viscoelásticas. “Os fibroblastos apresentaram maior fluidez, redução da rigidez e aumento da motilidade celular, enquanto os queratinócitos exibiram respostas dependentes da intensidade de irradiação. Já os osteoblastos mostraram-se relativamente pouco sensíveis às condições experimentais”,  detalha o professor. A análise proteômica revelou o envolvimento de vias de sinalização relacionadas à resposta imune, à produção de ATP (adenosina trifosfato) e à regulação do estresse celular, com destaque para a reorganização do citoesqueleto como mecanismo central dessas alterações. Esses achados reforçam o potencial da fotobiomodulação como estratégia para modulação celular em processos de regeneração tecidual. A equipe planeja ampliar as investigações para outros tipos celulares e tecidos, além de testar diferentes comprimentos de onda e intensidades lumínicas. O artigo ‘Biomechanical insights into the proteomic profiling of cells in response to red light absorption’ foi publicado em 2025 na revista Small. •

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