O câncer continua sendo uma das principais causas de mortalidade em todo o mundo. Entre os problemas relacionados à neoplasia, a desnutrição grave é uma complicação extremamente comum nestes pacientes. Recentemente, uma metanálise com dados internacionais apontou que essa condição adjacente está associada a piores desfechos clínicos, maior tempo de internação e aumento da mortalidade. Tais achados reforçam a urgência de incorporar a avaliação nutricional sistemática como parte essencial do tratamento oncológico.
Conduzido por pesquisadores iranianos, o estudo de revisão sistemática e metanálise contou com 19 pesquisas de diversas bases de dados. De acordo com os autores, a prevalência da desnutrição grave em pacientes com câncer varia de acordo com o tipo e estágio do tumor. “A condição é mais elevada em casos de câncer do trato gastrointestinal, pulmão e cabeça e pescoço, e em pacientes em estágios avançados independentemente da área afetada”, observam. Outro fator relevante aponta que a desnutrição é mais prevalente em idosos em comparação a pacientes mais jovens.
Causas multifatoriais
Segundo os autores, a desnutrição grave em pacientes oncológicos está associada a uma resposta terapêutica reduzida. Os principais fatores de risco incluem menor ingestão alimentar devido a náuseas, dor e dificuldade de deglutição; efeitos colaterais de quimioterapia e radioterapia; alterações metabólicas causadas pelo tumor; e processos inflamatórios sistêmicos associados à doença. “A perda de peso involuntária e a redução de massa muscular são apontadas como elementos essenciais para essa condição adjacente”, relatam os autores.
Falhas na intervenção nutricional
Apesar da alta prevalência, os pesquisadores alertam que a desnutrição grave ainda é subdiagnosticada em muitos serviços de saúde. Isso ocorre pela ausência de triagens nutricionais padronizadas e avaliações regulares. Esse cenário ressalta a importância de incorporar protocolos sistemáticos de avaliação nutricional desde o diagnóstico, com acompanhamento contínuo ao longo do tratamento. “Reduzir os riscos associados à desnutrição pode favorecer a resposta terapêutica e a qualidade de vida dos pacientes”, avaliam.
Dessa forma, a nutrição deve ser considerada parte integrante do cuidado oncológico e não um aspecto complementar. “A atuação de equipes multidisciplinares, especialmente nutricionistas especializados em Oncologia, é apontada como essencial ao tratamento”, concluem os autores. O artigo ‘Prevalence of severe malnutrition in cancer patients: a systematic review and meta-analysis’ foi publicado em julho de 2025 na Springer Nature link.

