Principais fitoquímicos da soja

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Isoflavona e LcS contra o câncer de mama

Escrito por: Adenilde Bringel

Muitos estudos epidemiológicos mostram que o consumo diário de fitoquímicos pode prevenir o câncer de mama. A neoplasia é uma das doenças mais comuns entre as mulheres e sua incidência está associada à taxa de mortalidade mais crescente da humanidade. Em particular, a prevalência nos países asiáticos era baixa no passado, no entanto, vem aumentando nas últimas décadas. Uma das razões seria a mudança dos tradicionais hábitos alimentares asiáticos para a dieta ocidental, em especial o consumo de soja. Dentre os principais fitoquímicos da soja estão as isoflavonas, as saponinas, os inibidores de tripsina, os fitosteróis, os ácidos fenólicos e as lectinas ou fitohemaglutininas.

Dos principais fitoquímicos da soja, as isoflavonas têm sido amplamente estudadas e o consumo habitual de alimentos de soja tem mostrado capacidade de reduzir os riscos da neoplasia mamária. Por exemplo, uma meta-análise publicada em 2022 mostrou resultados significativos ao analisar estatisticamente dados de estudos prospectivos que compararam o consumo de isoflavonas de soja e a ocorrência de câncer de mama. De acordo com os autores, os dados foram indicativos de uma clara correlação inversa entre a quantidade de isoflavonas consumidas e a ocorrência de câncer de mama em mulheres pré e pós-menopausa.

O mecanismo responsável para a prevenção do câncer de mama através das isoflavonas de soja, especialmente a genisteína, envolve atividade fitoestrogênica, inibição da tirosina quinase oncogênica e antiangiogênica, antioxidante e anti-inflamatória. Para investigar os efeitos do consumo de isoflavonas de soja e o probiótico Lactobacillus casei Shirota (LcS) na ocorrência de câncer de mama – cepa probiótica amplamente utilizada em bebidas fermentadas desde a década de 1930 –, cientistas japoneses realizaram um estudo envolvendo 306 pacientes com a doença e 662 controles com idades entre 40 e 55 anos.

O objetivo era avaliar como as bebidas contendo Lactobacillus casei Shirota (LcS) e o consumo de isoflavona de soja desde a adolescência afetariam a incidência de câncer de mama. Dieta, estilo de vida e outros fatores de risco para a neoplasia mamária foram investigados usando questionário e entrevista autoadministrados. As razões de probabilidades (ORs) do consumo de LcS e isoflavona de soja para a incidência de câncer de mama foram estimadas de forma independente e conjunta usando uma regressão logística condicional. 

Resultados

A análise da associação entre o consumo de soja e a incidência de câncer de mama mostrou que quanto maior o consumo de isoflavona, menores as chances de desenvolver a doença. A interação LcS-isoflavona não foi estatisticamente significativa. No entanto, uma interação biológica foi sugerida. “O consumo regular de LcS e isoflavonas desde a adolescência foi inversamente associado à incidência de câncer de mama em mulheres japonesas”, afirmam os autores. O estudo ‘Probiotic beverage with soy isoflavone consumption for breast cancer prevention: a case-control study’ foi publicado na revista Current Nutrition & Food Science, em 2013.

Mecanismos benéficos

Probióticos são definidos como microrganismos vivos benéficos ao organismo do hospedeiro. Algumas espécies são relatadas em prevenir câncer em modelos animais através de vários mecanismos de ação, tais como a modulação do sistema imune e/ou a geração de metabólitos biologicamente ativos no intestino. O probiótico Lactobacillus casei Shirota é reconhecido por prevenir o câncer. Nos estudos em animais, a administração de LcS retardou a carcinogênese induzida quimicamente em diversos modelos. Em humanos, o LcS preveniu o câncer de bexiga e suprimiu o desenvolvimento do câncer colorretal.

“Um dos mecanismos presumidos para a prevenção do câncer através dos LcS aconteceria pelo aumento das atividades imunológicas, tais como a das células Natural Killer (NK), para induzir os efeitos citotóxicos contra as células tumorais por meio do estímulo da produção de várias citoquinas”, detalham os cientistas. Além disso, por meio da modificação da microbiota intestinal, os LcS podem aumentar a produção de substâncias úteis à homeostase do cólon e reduzir o aumento das substâncias mutagênicas derivadas dos alimentos ingeridos.

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