De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), as neoplasias malignas se configuram como o principal problema de saúde pública no mundo, figurando como uma das principais causas de morte. Na maioria dos países, o câncer corresponde à primeira ou à segunda causa de morte antes dos 70 anos de idade. No entanto, apesar da gravidade da doença, quando há o diagnóstico precoce as chances de tratamento e até a cura aumentam significativamente.O impacto da incidência e da mortalidade por câncer está aumentando rapidamente no cenário mundial. De acordo com as autoridades de saúde globais, essa alta é resultado principalmente das transições demográfica e epidemiológica pelas quais o mundo está passando. Contudo, muitas pessoas ainda se perguntam quando e como iniciar o rastreio para detectar possíveis tumores.
De acordo com o cirurgião gastrointestinal Lucas Nacif, membro do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD), o rastreio deve ser feito em pessoas acima de 45 anos. Entretanto, em alguns casos específicos deve ser realizado em indivíduos acima de 40 anos e, se houver histórico familiar, o ideal é que seja 10 anos antes. “Alguns tipos de câncer, quando no início, não costumam ter sintomas. Por isso, é importante a realização de exames preventivos para a detecção precoce”, alerta.
A recomendação para pessoas que possuem histórico familiar se baseia em evidências científicas que indicam que a predisposição genética pode antecipar o desenvolvimento do câncer. Isso significa que, se um parente de primeiro grau foi diagnosticado aos 50 anos, o rastreamento deve começar aos 40 anos.
O médico ressalta que essa antecipação pode salvar vidas, pois aumenta as chances de identificar pólipos antes que se tornem malignos. “Mesmo não sendo possível impedir o câncer de aparecer, a descoberta precoce do tumor oferece mais opções de tratamento e um prognóstico mais positivo, além de altas taxas de cura em muitos casos”, pontua o especialista.
Rastrear para antecipar o tratamento
O processo de desenvolvimento do câncer, chamado de carcinogênese, é complexo e influenciado por diversas variáveis. Entre os exemplos estão envelhecimento, hereditariedade, hábitos ruins como tabagismo e dieta rica em ultraprocessados, sedentarismo e poluição do ar, entre outros. “Embora nem todos os fatores da lista possam ser modificados, os exames de rastreio devem ser feitos para reduzir os danos naqueles que irão desenvolver a doença”, reforça o médico.
Com os exames adequados para cada tipo de câncer é possível detectar o tumor ainda em um estágio inicial e restrito a um único órgão e, ainda, prevenir o avanço da doença. Dessa forma, será possível evitar que as células cancerígenas se espalhem para outras áreas do corpo – metástase. Além disso, é possível optar por tratamentos menos invasivos e agressivos, ampliar as possibilidades de sucesso e atingir a remissão, ou seja, a ausência parcial ou total dos sintomas da doença.
O médico afirma que, na maioria dos casos, o diagnóstico precoce de um câncer é determinante para o sucesso do tratamento e para um prognóstico favorável. “Por isso, a realização de exames preventivos, de acordo com as orientações médicas, é essencial para salvar vidas e melhorar a qualidade de vida daqueles que enfrentam a doença”, sinaliza.

