As convulsões são provocadas por uma alteração irritativa no córtex cerebral, com disparos anormais de neurônios que estimulam uma pequena área ou até todo o cérebro. Os episódios de convulsão podem surgir de forma repentina, em diferentes ambientes do cotidiano. No entanto, o assunto ainda gera muitas dúvidas em relação a como proceder diante de uma crise para, assim, prestar ajuda de forma correta.
De acordo com o médico neurologista André Felício, professor da Afya Educação Médica São Paulo, clinicamente a convulsão se manifesta com abalos musculares. Geralmente com contrações e movimentos repetitivos estereotipados, esses episódios de convulsão duram de segundos a alguns minutos. “É algo extremamente comum na população, tratando-se da doença neurológica crônica mais prevalente no mundo”, explica.
Embora haja confusão, a convulsão e a epilepsia não são exatamente a mesma patologia. A convulsão pode ter como fatores uma hipoglicemia, febre comum em crianças, privação de sono, uso ou abstinência de álcool, medicamentos e trauma craniano. Já a epilepsia é uma doença neurológica em que ocorrem convulsões e, sobretudo, uma predisposição persistente para novos eventos.
Em geral, todas as pessoas que convivem com a epilepsia têm convulsão, mas o inverso não é verdadeiro. “Existe a possibilidade de um paciente ter uma crise única isolada e nunca mais ter outra, especialmente nas chamadas crises provocadas”, ressalta o médico neurologista. Esses intervalos entre as crises podem ser muito longos e isso ser bastante benigno.
Primeiros socorros
Nos episódios de convulsão, a ajuda correta é essencial para prevenir traumas na cabeça e no pescoço. O indicado é colocar a pessoa em crise em um local seguro e, com as mãos, proteger a cabeça contra ferimentos – mas sem segurar com muita força. Outra orientação é nunca tentar colocar objetos ou abrir a boca da pessoa. “É fundamental esperar o episódio passar, pois, por definição, a crise convulsiva é autolimitada”, orienta o médico.
Também é contraindicado tentar dar remédios ou água. O especialista reforça que a procura por atendimento médico imediato é indicada quando o episódio ultrapassa cinco minutos, se repete em curto intervalo, ocorre pela primeira vez ou quando a pessoa apresenta dificuldade para retomar a consciência. “Nesses casos, o acionamento do serviço de emergência é indispensável”, alerta.

