A paroníquia – popularmente conhecida como unheiro – é uma infecção nos tecidos ao redor das unhas que pode afetar tanto as mãos quanto os pés. Causada por bactérias ou fungos, essa condição ocorre após pequenas lesões na pele, como aquelas provocadas pela retirada de cutículas, traumas locais ou exposição frequente à umidade e substâncias irritantes. Embora seja frequentemente considerada um problema simples, pode evoluir com dor intensa, inchaço, vermelhidão e supuração (formação de pus), impactando a qualidade de vida.
A principal causa da paroníquia é o rompimento da barreira cuticular, que serve como selante natural contra a entrada de patógenos no organismo. De acordo com o ortopedista Roberto Luiz Sobania, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão, a maioria dos casos não apresenta grandes riscos. Entretanto, em alguns há severas complicações. “A infecção nos tecidos ao redor das unhas pode comprometer o dedo, a polpa digital e, em casos mais graves, levar à perda da lâmina ungueal ou infecções sistêmicas”, alerta.
Sintomas
A infecção nos tecidos ao redor das unhas pode ser aguda ou crônica. A aguda que tem início súbito, geralmente após uma lesão como puxar peles, roer unhas, usar unhas artificiais ou tirar cutícula demais. Neste caso, apresenta sintomas como vermelhidão intensa, inchaço, dor latejante, calor local e presença de pus. Na forma crônica o desenvolvimento é lento, persistente e mais difícil de curar. Inchaço persistente, perda da cutícula e alterações na unha como ondulações, sulcos, mudança de cor ou quebradiças são sinais frequentes.
Sem o cuidado adequado, o que começa como uma leve vermelhidão ao redor da unha pode evoluir para abscessos dolorosos e, até mesmo, à perda da lâmina ungueal ou infecções sistêmicas. “A condição pode afetar qualquer pessoa. No entanto, o risco de complicações é maior para aqueles com certos problemas de saúde – como o diabetes”, sinaliza o especialista. Ademais, profissionais que trabalham com as mãos molhadas por várias horas, pessoas em contato com substâncias irritantes como detergentes, solventes ou alvejantes e o uso prolongado de luvas de borracha, que cria um ambiente quente e úmido ideal para fungos, também levam ao problema.
Diante de qualquer alteração, a recomendação é não recorrer à automedicação, mas buscar avaliação médica. Quando identificada precocemente, a paroníquia costuma ter tratamento simples e boa evolução. “Nos quadros iniciais e menos graves, a conduta costuma ser conservadora com uso de antibióticos e aplicação de compressas mornas, que ajudam a facilitar a drenagem de secreções. Quando há formação de abscesso pode ser necessário procedimento cirúrgico para escoamento do pus”, explica o médico.
Prevenção
- Não roer as unhas ou puxar peles soltas com os dentes
- Manter mãos e pés sempre secos e bem hidratados, pois a umidade excessiva e as rachaduras na pele facilitam a proliferação de fungos e bactérias
- Ao fazer as unhas não remova a cutícula totalmente. Utilize instrumentos esterilizados e de preferência de uso individual (principalmente nos salões de beleza); com unhas de gel é fundamental fazer a manutenção no tempo correto
- Use calçados adequados que não apertem os pés
- Não tente arrancar ou cortar unhas encravadas sozinho se houver dor intensa ou sinais de infecção
- Mantenha a pele ao redor das unhas sempre hidratada, pois peles secas racham com facilidade
- Evite deixar mãos ou pés imersos em água por muito tempo
- Use luvas para evitar o contato direto com produtos irritantes

