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Retinógrafos portáteis

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Retinógrafos ampliam diagnóstico da retinopatia

Escrito por: Fernanda Ortiz

A detecção precoce da retinopatia diabética pode ganhar um importante aliado: os retinógrafos portáteis. Esses equipamentos fotografam o fundo do olho para identificar alterações na retina e podem contribuir para evitar casos de perda irreversível da visão. O exame é rápido, indolor e não invasivo e pode ser realizado por profissionais de saúde treinados. A estratégia deverá ganhar escala no Sistema Único de Saúde (SUS) com a aquisição desses equipamentos pelo Ministério da Saúde para Unidades Básicas de Saúde (UBS) de mais de 5 mil municípios brasileiros.

“O uso desses equipamentos na atenção primária pode ampliar significativamente o rastreamento e reduzir casos de perda irreversível da visão, especialmente entre pacientes com diabetes, uma das principais causas de cegueira evitável no Brasil”, afirma o médico endocrinologista João Eduardo Nuno Salles, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Como o exame pode ser realizado por profissionais de saúde treinados, a tecnologia facilita a detecção de alterações oculares mesmo em regiões onde o acesso ao oftalmologista é limitado.

De acordo com o oftalmologista Fernando Malerbi, coordenador do Departamento de Saúde Ocular da SBD, o exame é realizado com o paciente posicionado diante do retinógrafo, que registra imagens do fundo do olho – incluindo a retina e os vasos sanguíneos. “As fotografias permitem identificar alterações que podem não causar sintomas nas fases iniciais”, explica. As imagens podem ser analisadas por um oftalmologista presencialmente ou de forma remota, por meio da telessaúde, e utilizadas por sistemas de inteligência artificial desenvolvidos para auxiliar na identificação de alterações oculares.

Retinopatia diabética

Entre as alterações que podem ser identificadas pelo exame está a retinopatia diabética, uma complicação do diabetes que afeta os pequenos vasos sanguíneos da retina. O oftalmologista explica que a exposição prolongada à glicemia elevada pode danificar esses vasos, provocando vazamentos e hemorragias que comprometem a visão. Em casos avançados, a doença pode levar à perda visual grave e irreversível. “Um dos principais desafios é que a retinopatia diabética costuma ser silenciosa nas fases iniciais, o que reforça a importância desse exame preventivo”, alerta.

Os principais sintomas da retinopatia diabética são visão embaçada ou turva, flashes de luz, manchas escuras e distorções na imagem. Em estágios avançados, pode ocorrer perda importante da visão. “O tratamento depende do grau da retinopatia e inclui o controle clínico do diabetes e de condições associadas que podem agravar a doença, como hipertensão arterial e colesterol elevado”, destaca o oftalmologista. Nos casos que necessitam de tratamento oftalmológico, as principais opções são fotocoagulação a laser, farmacoterapia intravítrea e cirurgia.

Tecnologia testada na prática

A experiência de um projeto realizado em Santa Cruz do Sul (RS) mostra o potencial dos retinógrafos para ampliar o rastreamento da retinopatia diabética. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) conduzem um ensaio clínico randomizado que avalia o desempenho da inteligência artificial na identificação da doença em comparação com a avaliação de oftalmologistas. Nesse estudo, profissionais de saúde foram treinados para realizar a captura das imagens de pessoas com diabetes.

Os registros obtidos são encaminhados para análise por inteligência artificial e por oftalmologistas, permitindo a comparação dos resultados. Até o momento, mais de 1.100 pessoas já foram examinadas em diferentes regiões do município gaúcho, inclusive em locais de difícil acesso. Quando é detectada a retinopatia diabética, o paciente é encaminhado para avaliação presencial de oftalmologistas e tratamento. “A experiência reforça o potencial da tecnologia como ferramenta de rastreamento da doença”, explica a endocrinologista Beatriz D’Agord Schaan, professora da UFRGS e coordenadora do projeto.

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