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Colite ulcerativa

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Apendicectomia e a retocolite ulcerativa

Escrito por: Elessandra Asevedo

A colite ulcerativa (UC, na sigla em inglês) é uma doença inflamatória crônica do cólon ligada à mucosa e caracterizada por crises recorrentes. De acordo com pesquisadores italianos, a apendicectomia tem sido associada à redução do risco de desenvolver colite ulcerativa ou sofrer surtos após o diagnóstico, sugerindo que o apêndice pode desempenhar um papel na patogênese da doença.

A hipótese é que a alteração da homeostase da flora microbiana intestinal dentro do apêndice cecal, assim como sua interação com as inúmeras células imunocompetentes presentes nesta região, pode desempenhar um papel significativo no início e na evolução da colite ulcerativa.

Assim, os cientistas desenvolveram um estudo com objetivo de investigar a possível relação entre a microbiota da mucosa no apêndice e a resposta inflamatória local na colite ulcerativa. O foco era avaliar como esses fatores podem contribuir para a gravidade da doença.

Mecanismos imunológicos

Para o estudo, o tecido apendicular foi coletado de 85 pacientes submetidos a cirurgia para colite ulcerativa, apendicite aguda ou câncer de cólon. A imunofenotipagem de células dendríticas, macrófagos e linfócitos T foi realizada por citometria de fluxo. A composição da microbiota foi analisada por sequenciamento de amplicons do gene 16S rRNA.

Embora o índice de diversidade alfa não tenha diferido entre apêndices com e sem colite ulcerativa, as medidas de diversidade beta indicaram diferenças significativas na composição. Cinco espécies bacterianas – Actinomyces hyovaginalis, Mogibacterium sp., Fusobacterium sp., Pseudoramibacter eubacterium e Streptococcus anginosus – apresentaram redução significativa no apêndice de pacientes com colite ulcerativa em comparação com a apendicite aguda.

Contudo, nenhuma espécie foi associada à atividade da colite ulcerativa. Em contraste, pacientes com a enfermidade apresentaram uma frequência significativamente maior de células dendríticas ativadas. Os níveis de ativação das células dendríticas correlacionaram-se com a frequência diária de evacuações e a ativação de células T.

De acordo com os cientistas, esses achados sugerem que o apêndice pode contribuir para a patogênese da colite ulcerativa por meio de mecanismos imunológicos, e não microbianos. “Isso corrobora o papel da ativação de células T mediada por células dendríticas na inflamação colônica”, reforçam os pesquisadores. O estudo ‘Distinct microbiota composition and dendritic cell activation in the appendix microenvironment of ulcerative colitis patients’ foi publicado no periódico Gut Microbes em agosto de 2025 – doi: 10.1080/19490976.2025.2545416.

 

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