As 102 mulheres recrutadas para o estudo da Universidade Federal de Ouro Preto, com idade entre 40 e 65 anos, foram distribuídas em três grupos segundo os critérios do STRAW para estágio reprodutivo: grupo reprodutivo (18), pré-menopausa (26) e pós-menopausa (58), de acordo com estágio de envelhecimento reprodutivo e status da menopausa. Todas participaram do Laboratório Piloto de Análise Clínica da Escola de Farmácia da Universidade Federal de Ouro Preto (LAPAC-UFOP). O estudo também incluiu mulheres que relataram o uso de medicamentos para controle glicêmico, anti-hipertensivos e hipolipemiantes.
Os pesquisadores monitoraram as participantes usando os questionários de autoavaliação DASS-21 (Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse), com 21 perguntas, e Escala de Avaliação da Menopausa (MRS) para avaliar o grau de sintomas, com 11 questões. Além disso, avaliaram hábitos comportamentais como o fumo. Ademais, foram realizadas entrevistas individuais para obter dados sociodemográficos, comportamentais e reprodutivos, como a presença e variação de ciclos menstruais, o uso de terapia de reposição hormonal e sintomas climatéricos. Para calcular o índice de disbiose foi realizada uma abordagem ômica – metagenoma, sequenciamento da região variável V3-V4 do gene 16SrRNA usando princípios de bioinformática – de amostras de sangue, de fezes e swab vaginal.
O índice de disbiose foi baseado na quantificação das espécies potencialmente benéficas e potencialmente danosas. Na avaliação da microbiota intestinal por qPCR entre os quatro gêneros quantificados, os resultados mostraram uma predominância de Clostridium em todos os grupos. “Embora o gênero Clostridium pertença ao filo Firmicutes, abundante em humanos, e ajude a modular o sistema imunológico e a produção de ácidos biliares para a digestão de lipídios da dieta, algumas espécies estão associadas a doenças, como o Clostridium difficile”, acentua a professora Renata Guerra de Sá Cota.
Na quantificação por qPCR dos gêneros Bifidobacterium, Bacteroides, Lactobacillus e Clostridium de amostras fecais de mulheres climatéricas, o grupo reprodutivo mostrou diferença significativa entre a quantidade de Bifidobacterium em comparação com os gêneros Lactobacillus e Clostridium; Bacteroides em comparação com Lactobacillus e Lactobacillus em comparação com Clostridium. As mulheres na pré-menopausa tiveram diferença significativa observada entre a quantidade de Bifidobacterium versus Lactobacillus e Clostridium; Bacteroides versus Lactobacillus e os gêneros Lactobacillus versus Clostridium. No grupo pós-menopausa, a diferença encontrada entre todos os gêneros bacterianos analisados foi considerada estatisticamente significativa. “Os resultados mostraram que a microbiota vaginal de 90% da nossa coorte tinha baixas concentrações de lactobacilos, fundamentais para a manutenção do pH e da integridade da barreira vaginal, e 98% tinha disbiose intestinal severa”, resume.
Em conclusão, os autores afirmam que as alterações hormonais e metabólicas durante a menopausa na população estudada foram acompanhadas por uma mudança significativa na microbiota fecal. Os resultados mostraram, ainda, que as mulheres na pré-menopausa apresentaram pontuações mais altas para sintomas somáticos em relação ao grupo reprodutivo. Além disso, na pré-menopausa foi notável um aumento nos sintomas psicológicos e urogenitais, enquanto na pós-menopausa esses escores tendiam a diminuir, mantendo a sintomatologia moderada. “Os sintomas psicológicos encontrados no grupo de pré-menopausa corroboram um estudo em outra região brasileira (Acre) que encontrou maior risco de depressão, irritabilidade, ansiedade e exaustão em mulheres nesta fase da vida”, detalha a coordenadora do estudo.

