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Hipertensão arterial

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Hipertensão arterial começa a atingir os mais jovens

Escrito por: Elessandra Asevedo

A hipertensão arterial eleva o esforço do coração para fazer com que o sangue seja distribuído corretamente pelo corpo. Com isso, aumenta significativamente o risco de doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais, sendo uma das principais causas de morte no mundo. Além disso, a doença é responsável por 40% dos infartos, 80% dos casos de acidente vascular cerebral (AVC) e 25% dos casos de insuficiência renal terminal. Dados da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) sugerem que a hipertensão atinja em torno de 25% da população adulta, chegando a mais de 50% após os 60 anos. Entretanto, hoje a doença passa a se apresentar em faixas etárias cada vez mais jovens e já está presente em 5% das crianças e dos adolescentes no Brasil.

Um estudo inédito do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor-HC-FMUSP) revela um cenário preocupante em relação à prevalência da hipertensão entre a população jovem. Conduzida pela Unidade de Hipertensão do InCor e coordenada pelo médico cardiologista Luiz Aparecido Bortolotto, a pesquisa analisou 632 pacientes com hipertensão arterial resistente que tomavam mais de três medicações para controle. Dentre esses, 103 dos que tinham idade igual ou inferior a 40 anos apresentaram uma taxa de 12% de acidente vascular cerebral (AVC) e 39% tiveram eventos cardiovasculares graves, como infarto do miocárdio e insuficiência cardíaca.

Entre os pacientes avaliados, 40,8% apresentavam obesidade – fator que agrava o quadro hipertensivo e aumenta o risco de complicações cardiovasculares. A pesquisa também mostrou que diabetes, doença renal crônica e idade avançada estão associadas a uma maior probabilidade de mortalidade. “Esses números se assemelham aos observados em indivíduos com idade acima de 60 anos, que geralmente convivem com mais complicações de saúde. Além disso, 12% dos jovens estudados faleceram em um período de seis anos, percentual significativamente elevado para essa faixa etária”, pontua o médico.

De acordo com o coordenador, a hipertensão arterial resistente presente nos participantes da pesquisa é uma forma grave da doença, caracterizada pela pressão arterial acima das metas recomendadas (PA ≥140/90 mmHg), mesmo com o uso correto do chamado ‘trio de ouro’ do tratamento – um bloqueador do sistema renina-angiotensina, um bloqueador dos canais de cálcio de ação prolongada e um diurético tiazídico de longa duração. Anteriormente, os casos de hipertensão em jovens adultos tinham principalmente motivos associados como o uso de drogas, anticoncepcionais de alta dosagem de estrógenos e anabolizantes em excesso. Hoje, essas causas ainda existem, mas o cenário mudou.

“A história natural da hipertensão é ser uma doença que costuma aparecer na quarta década de vida. Entretanto, temos visto indivíduos de 20, 30 anos com hipertensão sem uma causa secundária, chamada hipertensão primária”, acentua a médica cardiologista Erika Campana, presidente do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DHA-SBC). No passado, quando a enfermidade era diagnosticada no indivíduo muito jovem, os especialistas buscavam entre as causas secundárias, por exemplo, uma doença renal ou endócrina que estava causando a hipertensão. Entretanto, a alteração no panorama atual é considerada um reflexo dos hábitos de vida inadequados, como o excesso de peso ou a obesidade, que é um grande causador de alteração de pressão arterial em jovens.

Outros fatores são o sedentarismo e o consumo alimentar inadequado, rico em alimentos ultraprocessados e com excesso de sódio, e o uso desenfreado de substâncias como o cigarro eletrônico e outras formas de tabagismo. Estresse, sono irregular e distúrbios do sono também são vilões da pressão arterial. “Há, ainda, uma relação indireta com o tempo de tela, pois, quanto mais a pessoa fica no celular, por exemplo, menos tempo dispõe para praticar uma atividade física”, pontua o médico Luiz Aparecido Bortolotto. Embora nos jovens adultos a hipertensão possa estar relacionada à predisposição genética, essa condição hereditária não determina, por si só, o desenvolvimento da doença

Estilo de vida

Assim, os fatores ambientais podem antecipar o surgimento da doença ao desencadear mecanismos que favorecem o aumento da pressão arterial. O estilo de vida moderno tem afetado até mesmo as crianças e os adolescentes. Em novembro de 2025, a revista britânica The Lancet Child & Adolescent Health publicou o estudo ‘Global prevalence of hypertension among children and adolescents aged 19 years or younger: an updated systematic review and meta-analysis’ mostrando que, entre 2000 e 2020, a prevalência de hipertensão na infância quase dobrou. Os dados mostram aumento de 3,40% para 6,53% em meninos e de 3,02% para 5,82% em meninas com idade igual ou inferior a 19 anos.

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