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Escolha da obra

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Tipos literários influenciam o resultado

Escrito por: Elessandra Asevedo

A escolha da obra é um dos aspectos mais importantes da Biblioterapia, pois o texto precisa dialogar com a realidade do leitor, despertar emoções e promover identificação. Por isso, o biblioterapeuta ou mediador da leitura literária deve conhecer profundamente as obras que recomenda. Para a doutora em literatura e criadora da disciplina de Biblioterapia no curso de graduação de Biblioteconomia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Clarice Fortkamp Caldin, um dos elementos que favorecem esse processo é o uso de metáforas, pois a linguagem cotidiana não favorece a expressão dos sentimentos. “Em vez de abordar um problema de forma direta, a narrativa ficcional permite que o leitor se aproxime do tema por meio da experiência de um personagem. Nesse contexto, a prosa de ficção costuma ser a mais indicada, pois romances, contos e crônicas apresentam personagens e conflitos capazes de gerar maior identificação e envolvimento emocional”, orienta. Já a poesia, por ser mais introspectiva e subjetiva, costuma ser indicada para públicos específicos ou para leitores que já possuem afinidade com o gênero.

A escolha da obra também depende do formato da atividade. Em programas desenvolvidos de forma contínua, ao longo de três a seis meses, é possível trabalhar com romances e narrativas mais longas. Em encontros pontuais, textos curtos costumam ser mais adequados. Contos são frequentemente utilizados com crianças, enquanto crônicas costumam despertar boas discussões entre adolescentes e adultos. Entre idosos, a seleção varia conforme o perfil do grupo, uma vez que muitos apreciam poesias, especialmente aquelas que marcaram diferentes momentos da própria vida. “Há relatos, por exemplo, de pessoas com doença de Alzheimer que, durante um momento de lucidez, conseguiram recitar integralmente poemas aprendidos na juventude”, exemplifica a docente Clarice Fortkamp Caldin, autora do livro Biblioterapia: um cuidado com o ser, atualmente na segunda edição. Histórias bem-humoradas também têm espaço, principalmente com o público idoso. O riso favorece momentos de alegria, fortalece vínculos e contribui para a expressão das emoções. Assim como ocorre em outras experiências coletivas marcadas pela emoção, a literatura pode provocar uma catarse mediada pela força das narrativas.

Nos atendimentos individuais, a escolha das obras e a condução das atividades são personalizadas, permitindo que a leitura dialogue diretamente com vivências, necessidades e desafios de cada pessoa. Esse formato favorece um processo mais íntimo de reflexão, no qual o leitor estabelece conexões entre a narrativa e a própria experiência. Já a Biblioterapia em grupo acrescenta uma dimensão coletiva à experiência da leitura. Além do contato com a obra literária, os participantes compartilham percepções, emoções e interpretações, ampliando o significado do texto por meio do diálogo.

A identificação com as histórias e com os relatos dos demais integrantes contribui para o fortalecimento de empatia, sentimento de pertencimento e compreensão de que determinadas experiências são comuns a outras pessoas. “Em experiências coletivas, ler um livro é a primeira etapa da Biblioterapia. O momento mais rico costuma acontecer depois, durante a conversa sobre a obra”, observa a professora. É nesse intercâmbio de percepções que a atividade ganha profundidade, uma vez que a mesma história desperta sentimentos e interpretações diferentes em cada indivíduo, influenciadas por trajetórias de vida, memórias e experiências. Dessa forma, a Biblioterapia convida cada leitor a construir novos significados a partir da literatura e do encontro com o outro.

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