Os efeitos benéficos da cafeína podem variar influenciados por fatores como genética, idade, estilo de vida e tolerância individual. Pessoas com metabolismo mais lento e idosos podem ter maior sensibilidade e maior risco de reações adversas. Por isso, esses indivíduos, juntamente com os hipertensos e aqueles sensíveis à cafeína, devem ser aconselhados a reduzir e até restringir o consumo para evitar potenciais efeitos adversos. O consumo moderado de duas a três xícaras por dia, ou seja, aproximadamente 200 a 300 miligramas de cafeína, parece ser o mais seguro e benéfico para esses indivíduos.
“Além disso, o excesso pode causar intoxicação aguda, alteração do sono, agravamento de ansiedade e estresse, assim como interferência significativa nos ritmos circadianos”, alerta o médico neurologista Marcos Lange. O consumo frequente também pode levar a um tipo de dependência fisiológica. Desse modo, algumas pessoas passam a sentir necessidade do café para manter disposição e concentração e, quando interrompem o consumo abruptamente, podem surgir sintomas como dor de cabeça, sonolência, irritabilidade, cansaço e dificuldade de concentração.
De acordo com o neurologista, os efeitos benéficos da cafeína podem surgir com o uso de forma mais direcionada, especialmente em certos tipos de cefaleia – muitas vezes associada a analgésicos – pelo efeito modulador sobre vasos sanguíneos, receptores de adenosina e percepção da dor. “No entanto, quando pensamos nas doenças neurológicas de maior impacto populacional, como o acidente vascular cerebral (AVC) e as demências, é importante lembrar que estamos lidando com condições multifatoriais que envolvem fatores vasculares, metabólicos, inflamatórios, genéticos, ambientais, comportamentais e sociais”, informa. Assim, dificilmente uma única substância como a cafeína terá papel central isolado na prevenção ou no tratamento dessas doenças.
Entretanto, do ponto de vista prático e científico, a cafeína pode ser compreendida como parte de estratégias personalizadas de saúde cerebral que incluem sono adequado, atividade física regular, alimentação saudável, controle da pressão arterial, manejo do estresse, interação social, estímulo cognitivo e controle de fatores de risco cardiovasculares. Alguns órgãos internacionais de saúde, como a Food and Drug Administration (FDA) – órgão regulador de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos – afirmam que o consumo de até 400 miligramas de cafeína por dia tende a ser seguro para a maioria dos adultos saudáveis. Isso equivale a três ou cinco xícaras de café, dependendo da preparação. Ainda assim, os especialistas reforçam que não existe uma quantidade ideal universal, pois a tolerância varia individualmente. “Além disso, é preciso levar em consideração que o café descafeinado não é totalmente livre de cafeína e, embora contenha quantidades muito menores, pode apresentar resíduos da substância dependendo do processo industrial”, acentua o neurologista Marcos Lange.

