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Sepse pediátrica

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Critérios específicos para a Pediatria

Escrito por: Fernanda Ortiz

Apesar dos esforços para melhorar o diagnóstico e o tratamento, a mortalidade em decorrência da sepse pediátrica permanece alta. Dados da OMS e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estimam que aproximadamente 52% das mortes de crianças com menos de cinco anos no mundo são decorrentes de processos infecciosos. Os fatores de risco incluem idade precoce (menores de um ano), imunodeficiência, comorbidades crônicas (cardíacas, respiratórias), procedimentos invasivos (cateteres, ventilação), desnutrição e internação hospitalar prolongada em UTI. Embora o diagnóstico e o tratamento da sepse neste grupo sejam amplamente influenciados por estudos com adultos, existem protocolos específicos para crianças. A sepse pediátrica é mais prevalente em lactentes, sobretudo menores de um ano (incluindo recém-nascidos) e ­imunossuprimidos.

Segundo a pediatra intensivista Vanessa Soares Lanziotti, docente permanente do Programa de Pós-graduação em Saúde Materno-­infantil e chefe da Unidade de Pesquisa do Instituto de Pediatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em recém-­nascidos as causas incluem fatores neonatais como prematuridade e baixo peso, assim como fatores maternos como ruptura prolongada de membranas, corioamnionite (infecção placentária), infecção urinária, colonização materna por ­Streptococcus do Grupo B (EGB) e pré-­natal inadequado, além de fatores relacionados à assistência, como procedimentos invasivos. “A sepse neonatal precoce ocorre nas primeiras 72 horas de vida ou até sete dias em alguns protocolos, e é adquirida por via vertical, ou seja, materno-­fetal”, destaca. Já a sepse tardia é mais prevalente em prematuros internados por mais de 72 horas e, frequentemente, é associada ao uso de cateteres, procedimentos invasivos e infecções hospitalares. A pediatra alerta que o recém-nascido pré-termo apresenta de 8 a 11 vezes maior risco de infecção do que o recém-nascido a termo.

A sepse pediátrica inclui uma variedade de sintomas frequentemente inespecíficos e similares a outras condições, o que dificulta o diagnóstico precoce. Nas fases iniciais, a ­criança pode apresentar febre alta ou ­temperatura muito baixa (hipotermia), respiração ­rápida e ofegante, palpitações, letargia extrema, pele pálida/manchada, mãos e pés frios, ­dificuldade de responsividade e diminuição de urina eliminada. “Em pacientes recém-­nascidos e lactentes, os sinais e sintomas podem ser sutis, a exemplo de recusa alimentar ou sucção fraca, choro inconsolável, desconforto respiratório demonstrado por ­taquipneia ou gemidos, apneia e fontanela (conhecida como moleira) protuberante, em casos de meningite”, ­orienta a pediatra. Na presença dos sintomas, a recomendação é buscar atendimento médico imediato, pois a rápida identificação e intervenção hospitalar de primeira hora são essenciais para reduzir o risco de mortalidade.

Novas diretrizes

Em 2024, foram publicadas novas definições de sepse pediátrica e choque séptico em Pediatria – denominadas Critérios de Sepse de Phoenix – em substituição aos critérios da Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS). Organizado pela Society of Critical Care ­Medicine, o trabalho que resultou nas novas diretrizes teve o apoio de organizações e sociedades internacionais, incluindo o ILAS. A presidente do ILAS, Daniela Carla Souza, explica que o escore de Phoenix é composto por quatro disfunções orgânicas principais, com pontuações variando de acordo com os sistemas. O respiratório é baseado na necessidade de suporte (oxigênio, VNI ou ventilação mecânica); e o cardiovascular considera pressão arterial média baseada na idade, níveis de lactato (>5 mmol/L) e uso de medicamentos vasoativos. Já o neurológico avalia a Escala de Coma de Glasgow e reatividade pupilar, enquanto o de coagulação analisa a contagem de plaquetas.

Pelos critérios, a sepse pediátrica é confirmada com pelo menos dois pontos. Já o choque séptico é estabelecido em crianças com sepse que apresentam, no mínimo, mais um ponto no componente cardiovascular, ou seja, hipotensão grave para a idade, lactato sanguíneo >45 mg/dl ou necessidade de medicação vasoativa. “Os novos critérios foram desenvolvidos para identificar crianças com infecção e disfunção orgânica potencialmente fatal com maior precisão. Portanto, não devem ser usados como estratégia de triagem, mas para confirmar o diagnóstico após resultados de exames laboratoriais e tratamentos em curso”, detalha a pediatra. O tratamento foca na identificação rápida e intervenção na primeira hora com antibioticoterapia de amplo espectro, além de ressuscitação volêmica agressiva e uso precoce de drogas ­vasoativas como adrenalina e/ou noradrenalina – no caso de ­choque refratário a fluidos. Os cuidados incluem, ainda, a monitorização e o suporte de acordo com as necessidades e ­as manifestações clínicas ­associadas.

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