Situações comuns, como gripe forte ou esforço para falar em reuniões, aulas e locais barulhentos pode deixar a voz rouca (disfonia). Entretanto, essa condição geralmente melhora espontaneamente em poucos dias com repouso vocal e boa hidratação. Porém, a alteração vocal persistente por duas semanas ou mais é motivo de alerta, sendo fundamental procurar avaliação médica especializada.
De acordo com a médica otorrinolaringologista Luciana Miwa Nita Watanabe, do Hospital Universitário de Brasília, a disfonia afeta um terço da população em algum momento da vida e pode revelar desde inflamações até câncer de laringe. Portanto, a voz rouca é apenas um sintoma e que realmente importa é descobrir e tratar a doença que está levando ao esse quadro.
A médica, que é presidente da Academia Brasileira de Laringologia e Voz (ABLV) e membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-facial (ABORL-CCF), afirma que a videolaringoscopia é capaz de avaliar a disfonia. “O exame pode ser realizado no próprio consultório e permite visualizar a laringe, onde estão as cordas vocais, e identificar a causa do problema”, explica.
Entre as principais causas de disfonia estão lesões benignas como nódulos vocais e pólipos, infecções por vírus, bactérias ou fungos e refluxo laringofaríngeo. Ademais, doenças que causam irritação da laringe, doenças neurológicas, paralisia de corda vocal e até doenças malignas, como o câncer de laringe, também levam ao sintoma.
A médica orienta que, se houver condições associadas graves à disfonia, é necessário procurar um especialista. Dentre elas estão dor e dificuldade para engolir alimentos, falta de ar, caroço no pescoço ou história de tabagismo. “Essas condições exigem avaliação imediata, especialmente em pessoas acima de 40 anos ou profissionais que dependem da voz profissionalmente”, orienta.
A voz revela sobre a saúde
Diversas condições conseguem interferir no mecanismo de produção da voz. Por exemplo, lesões que impedem o adequado fechamento das cordas vocais, fatores que prejudicam a vibração ou situações que comprometem o controle neuromuscular das estruturas envolvidas na fonação.
O câncer de laringe, com aproximadamente 7.790 novos casos anuais no Brasil de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), frequentemente se apresenta de forma insidiosa, apenas com rouquidão aparentemente simples.
“Se diagnosticado precocemente, oferece taxa de cura superior a 90% sem sequelas graves”, afirma a médica. Em contrapartida, se for identificado tardiamente, reduz drasticamente as chances de cura e deixa sequelas significativas. O ideal, portanto, é identificar e tratar lesões antes que evoluam para malignidade.Prevenção e cuidado vocal
- Não usar medicamentos sem indicação médica. Mesmo produtos considerados naturais podem, além de prejudicar a voz, atrasar o diagnóstico e tratamento corretos.
- Não usar a voz excessivamente sem cuidados necessários.
- Não gritar quando estiver com sintomas de gripe ou rouco, porque isso pode piorar a inflamação das cordas vocais.
- Não fumar e não inalar nenhuma substância que não seja medicamento prescrito pelo médico. Qualquer produto inalado sempre irá passar pelas cordas vocais e prejudicá-las, além de ter potencial risco de intoxicação.
- Tomar muita água, ao menos dois litros por dia.
- Ter alimentação e hábitos saudáveis.

