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Gordura no fígado

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Fígado gorduroso atinge 1 em cada 3 brasileiros

Escrito por: Elessandra Asevedo

A esteatose hepática, popularmente conhecida como gordura no fígado, já afeta cerca de 30% da população brasileira segundo a Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH). Apesar da alta prevalência, 61% dos brasileiros nunca fizeram ou não sabem quais exames detectam a condição, revelando um cenário de desconhecimento sobre uma doença que pode evoluir para cirrose, câncer hepático e necessidade de transplante.

De acordo com o médico cirurgião do aparelho digestivo, Lucas Nacif, a gordura no fígado é uma epidemia silenciosa. Na maioria das vezes, o paciente só descobre a condição quando já está em um estágio avançado, com comprometimento significativo do órgão. “Isso acontece porque, nos estágios iniciais, a doença costuma evoluir sem apresentar sintomas”, explica o diretor médico da clínica Hepatoclin e membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).

As projeções sobre o impacto da doença no futuro acendem um alerta, pois estima-se que, até 2030, a esteato-hepatite (inflamação no fígado) se torne a principal causa de transplantes de fígado. No Brasil, dados do Registro Brasileiro de Transplantes – veículo oficial da ABTO – indicam que em 2025 houve leve aumento no número de procedimentos realizados em relação a 2024. Entretanto, a fila de espera ainda é significativa, o que evidencia um descompasso entre doações e demandas.

Progressão da doença

O fígado acumula gordura de forma gradual, dificultando o diagnóstico precoce. Quando o paciente começa a sentir cansaço excessivo, fraqueza ou dor abdominal, geralmente a doença já evoluiu. A progressão segue um caminho previsível. “Se não diagnosticada e tratada, a condição pode evoluir para esteato-hepatite, fibrose, cirrose e até câncer hepático”, alerta o médico.

O excesso de peso, o diabetes tipo 2, o sedentarismo e a alimentação rica em ultraprocessados criam o ambiente perfeito para o acúmulo de gordura no fígado. O ultrassom abdominal é o exame mais acessível para detectar a gordura no fígado, devendo ser realizado periodicamente – principalmente por pessoas nos grupos de risco. Já o tratamento envolve alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle de peso.

De acordo com o especialista, a maioria das pessoas diagnosticadas com a doença em estágio inicial não desenvolverá complicações graves, desde que sejam gerenciadas adequadamente. Além disso, a perda de 5% a 10% do peso corporal promove melhorias significativas na saúde do fígado. “A chave está na prevenção. Exames de rotina podem salvar vidas ao detectar a doença antes que cause danos irreversíveis ao fígado”, conclui o médico Lucas Nacif.

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