Frequentemente confundida com a doença de Alzheimer ou mal de Parkinson, a demência por corpos de Lewy é a segunda forma mais comum de demência degenerativa em idosos. De acordo com a Organização Alzheimer’s Disease International (ADI), o problema representa cerca de 10% a 15% de todos os casos de senilidade no mundo. Mais incidente entre os homens, a doença afeta a comunicação entre os neurônios comprometendo funções como memória, aprendizado, humor e movimento. No longo prazo, esse processo mata as células nervosas e prejudica a cognição de maneira irreversível. Apesar da sua prevalência, a falta de conhecimento e a complexidade dos sintomas tornam o diagnóstico precoce desafiador.
As causas não são totalmente conhecidas, mas sabe-se que envelhecimento, fatores genéticos e ambientais – como exposição a toxinas e poluição – aumentam os riscos. É possível, ainda, que a condição esteja associada à perda de neurônios produtores de neurotransmissores como, por exemplo, a dopamina (relacionada a motivação, humor e movimentos) e a acetilcolina (ligada à memória e ao aprendizado). Geralmente, os sintomas da doença têm início após os 50 anos de idade.
Ao contrário da doença de Alzheimer, na qual a perda de memória costuma ser a primeira manifestação, a demência por corpos de Lewy apresenta um quadro clínico multifacetado. Segundo a médica neurologista Camila Callegari Piccinin, do Vera Cruz Hospital (SP), a principal diferença é a forma como se manifesta e progride. “Os sintomas podem variar ao longo do dia e incluem flutuações cognitivas (atenção e estado de alerta); alucinações visuais; distúrbios do sono (o paciente pode mover o corpo de acordo com o que está sonhando) e sintomas motores (rigidez muscular, tremores e lentidão de movimentos)”, explica.
Diagnóstico desafiador
Sem a existência de um exame específico para apontar a doença, os médicos utilizam recursos como exames de imagem, estudos do sono e testes neuropsicológicos para apoiar a identificação. “O diagnóstico adequado e precoce é vital, pois os pacientes podem ter reações severas e até fatais a certos medicamentos antipsicóticos comumente usados em outras demências”, alerta a neurologista.
Sem cura, o tratamento busca aliviar os sintomas e preservar a qualidade de vida. A abordagem terapêutica realizada com acompanhamento multidisciplinar pode incluir medicamentos para melhorar funções cognitivas, rigidez e lentidão. “Além disso, é importante a adoção de medidas de apoio para promover rotinas estruturadas e ambientes seguros, assim como atividades físicas e cognitivas adaptadas com foco em melhorar a autonomia do paciente”, orienta a especialista. Ademais, o envolvimento da família participando das terapias e oferecendo suporte emocional e físico é determinante para o bem-estar do paciente.
Atenção aos sintomas
- Flutuações cognitivas (atenção e estado de alerta)
- Alucinações visuais
- Distúrbios do sono (o paciente pode mover o corpo de acordo com o que está sonhando)
- Sintomas motores (rigidez muscular, tremores e lentidão de movimentos

