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Câncer de ovário

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Sintomas silenciosos desafiam diagnóstico precoce do câncer de ovário

Escrito por: Elessandra Asevedo

O câncer de ovário é a terceira neoplasia ginecológica mais comum, ficando atrás do câncer do colo do útero e do endométrio. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que, entre 2026 e 2028, serão registrados 8.020 novos casos para cada ano do triênio no Brasil. A enfermidade segue como um dos tumores ginecológicos mais desafiadores quando o assunto é diagnóstico precoce.

Muitas vezes silenciosa nos estágios iniciais, o câncer de ovário pode apresentar sintomas inespecíficos que acabam confundidos com problemas gastrointestinais, o que contribui para que a detecção aconteça de forma tardia. Com o objetivo de propagar a informação foi criado o Dia Mundial do Câncer de Ovário, celebrado em 8 de maio, reforçando a importância de ampliar o conhecimento da população sobre essa condição.

De acordo com a médica oncologista Bruna Carone, do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS), alguns sinais podem ser indicativos da doença. Entre eles estão distensão abdominal, sensação de plenitude, dor abdominal ou pélvica, alterações no hábito intestinal como constipação ou diarreia, fadiga inexplicada e mudanças de peso sem causa aparente estão entre os principais sintomas da doença. “O problema é que essas manifestações são comuns a diversas condições benignas, o que pode atrasar a investigação adequada”, explica.

Reconhecer os sintomas

A médica explica que há diferenças importantes entre sintomas benignos e aqueles que merecem maior atenção. “Os quadros não graves tendem a oscilar, melhorar espontaneamente ou ter relação clara com alimentação ou ciclo menstrual”, afirma. Já os sinais de alerta persistem diariamente ou quase todos os dias, duram semanas, podem piorar com o tempo e não respondem a medidas habituais.

Um ponto de atenção importante é a duração e a frequência dos sintomas. Se um sinal persiste por mais de duas a três semanas e aparece com frequência ao longo do mês, especialmente se for algo novo, é fundamental buscar avaliação médica.

Sem exame eficaz

Há um mito comum envolvendo a ideia de que existem exames eficazes para todas as mulheres. No entanto, ainda não há um rastreamento universal eficiente para o câncer de ovário. “O ultrassom transvaginal pode ajudar a identificar alterações suspeitas, mas a indicação depende de sintomas, achados no exame físico ou histórico familiar”, esclarece a oncologista.

Entre os principais fatores de risco estão idade, especialmente após a menopausa, histórico familiar de câncer de ovário ou mama, mutações, nuliparidade (ausência de filhos), obesidade, tabagismo e uso de terapia de reposição hormonal. “A identificação desses fatores pode ajudar na definição de estratégias de acompanhamento mais individualizadas”, orienta a médica.

Apesar das dificuldades, quando diagnosticado precocemente o câncer de ovário tem altas taxas de cura. “No estágio inicial, as chances podem chegar a 90%”, sinaliza a médica. O grande desafio é que, por ser uma doença silenciosa no começo, muitos casos são descobertos em fases avançadas, exigindo tratamentos mais complexos que vão além da cirurgia.

Sinais de alerta

  • Distensão abdominal
  • Sensação de plenitude
  • Dor abdominal ou pélvica
  • Alterações no hábito intestinal como constipação ou diarreia
  • Fadiga inexplicada
  • Mudanças de peso sem causa aparente

Fatores de risco

  • Idade, especialmente após a menopausa
  • Histórico familiar de câncer de ovário ou mama
  • Mutações
  • Nuliparidade (ausência de filhos)
  • Obesidade
  • Tabagismo
  • Uso de terapia de reposição hormonal

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