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Consumo de embutidos aumentam risco de câncer colorretal

Escrito por: Fernanda Ortiz

Salsicha, presunto, bacon e outros produtos embutidos fazem parte da rotina alimentar de muitos brasileiros. No entanto, estudos sugerem que o consumo frequente desses itens pode trazer prejuízos à saúde, entre eles um maior risco de câncer colorretal. Evidências científicas mostram que a ingestão diária de cerca de 50 gramas de carne processada pode elevar em aproximadamente 18% a probabilidade de desenvolver a doença, reforçando a importância de melhores escolhas alimentares.

A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), classifica as carnes processadas como carcinógenos do Grupo 1. Isso significa que há evidências científicas suficientes de que seu consumo pode causar câncer em humanos. Entretanto, essa classificação indica a força das evidências, mas não que o risco seja necessariamente alto em comparação com outras substâncias do mesmo grupo.

De acordo com o oncologista clínico Yuri Bittencourt, do Hospital Santa Catarina – Paulista, um exemplo concreto é o consumo diário de cerca de 50 gramas de embutidos – equivalente a pouco mais de duas fatias de presunto ou um cachorro-quente –, associado a um aumento de aproximadamente 18% no risco de câncer colorretal. “À primeira vista pode parecer pouco, mas é um aumento real, dose-dependente e que se acumula ao longo da vida”, reforça.

Na prática, o risco de desenvolver a doença ao longo da vida sobe de cerca de 5% para aproximadamente 6%. Embora a diferença pareça pequena, o impacto na saúde pública pode ser considerável quando esse aumento é aplicado a milhões de pessoas expostas ao consumo frequente de carnes processadas. “O câncer colorretal se desenvolve no intestino grosso, geralmente a partir de pólipos que, com o tempo, podem se transformar em tumores malignos”, acentua o médico. Mudanças persistentes no hábito intestinal, sangue nas fezes, dor abdominal, perda de peso sem explicação e cansaço fora do comum são sinais que não devem ser ignorados.

Fatores de risco e prevenção

A doença raramente tem uma causa única. Idade, obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo de álcool e histórico familiar também influenciam na probabilidade de desenvolvê-la. Pessoas que têm parentes de primeiro grau com câncer colorretal apresentam risco de duas a quatro vezes maior. “Quando existe essa predisposição genética, cada fator comportamental, como o consumo frequente de embutidos, pode agravar ainda mais essa vulnerabilidade. Não é alarmismo, é aritmética clínica”, afirma o oncologista.

A orientação nutricional respaldada pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) é direta: não há quantidade de carne processada considerada segura para o consumo regular. Por isso, se consumida, a recomendação é que seja de forma esporádica. Já a carne vermelha deve se limitar a até três porções semanais, totalizando entre 350 e 500 gramas. O oncologista reforça que uma dieta com mais frutas, verduras, legumes e grãos integrais não é apenas uma recomendação genérica de saúde, mas também pode exercer efeito protetor contra o câncer colorretal.

Diagnóstico precoce

A colonoscopia continua sendo o exame padrão-ouro para o rastreamento do câncer colorretal, pois permite identificar e remover pólipos antes que possam se transformar em tumores. Dessa forma, atua tanto na prevenção quanto no diagnóstico da doença. Para pessoas sem fatores de risco adicionais, a recomendação atual é iniciar o rastreamento aos 45 anos, podendo ser antecipado em casos de histórico familiar ou outras condições específicas. “O câncer colorretal é, em grande parte, evitável. Temos ferramentas reais para isso: o que colocamos no prato, o quanto nos movimentamos, quando fazemos os exames de rotina”, ressalta o oncologista. Em resumo, pequenas decisões do dia a dia constroem ou comprometem a saúde de anos à frente.

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