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Comunidades microbianas

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Microbioma e sua influência no câncer de bexiga

Escrito por: Fernanda Ortiz

Recentemente, um artigo de revisão reuniu evidências de que, ao participar de uma complexa relação com o sistema imunológico, o microbioma intestinal e urinário podem influenciar o desenvolvimento, a progressão e a recorrência do câncer de bexiga. O estudo também aponta que a composição dessas comunidades microbianas pode interferir na resposta a determinados tratamentos, abrindo perspectivas para estratégias de prevenção, diagnóstico e terapia mais individualizadas.

Durante muito tempo, acreditou-se que o trato urinário fosse um ambiente estéril. Com o avanço das técnicas de análise genética, porém, foi possível identificar comunidades microbianas também na urina. De acordo com os autores, esse microbioma urinário mantém uma relação dinâmica com o sistema imune e pode exercer efeitos distintos. “Algumas bactérias parecem contribuir para um ambiente mais favorável ao controle tumoral, enquanto outras estão associadas a inflamação, evasão da resposta imunológica e progressão da doença”, observam.

Eixo intestino-bexiga

A influência não se limita ao trato urinário. “O chamado eixo intestino-bexiga descreve a comunicação entre as comunidades microbianas do intestino e do sistema urinário, mediada, entre outros fatores, pelo sistema imunológico e por substâncias produzidas pelas bactérias”, comentam os autores. Quando ocorre uma alteração importante na composição do microbioma pode haver aumento de processos inflamatórios sistêmicos capazes de repercutir também na bexiga.

Entre os microrganismos associados a efeitos potencialmente protetores estão espécies dos gêneros Lactobacillus, Bifidobacterium e Ruminococcus. Já a maior presença de bactérias como Fusobacterium, Acinetobacter, Prevotella e integrantes da família Enterobacteriaceae tem sido relacionada a processos pró-inflamatórios ou potencialmente genotóxicos. Os autores ressaltam, entretanto, que grande parte das evidências disponíveis ainda demonstra associação, e não uma relação direta de causa e efeito.

Sistema imune

O microbioma pode influenciar o câncer por meio de substâncias produzidas pelas próprias bactérias, como os ácidos graxos de cadeia curta, que ajudam a regular a inflamação e a resposta imunológica. Em situações de disbiose, a redução desses microrganismos pode favorecer um ambiente mais inflamatório e dificultar a ação das células de defesa, contribuindo para a progressão do câncer de bexiga. Ao mesmo tempo, a própria doença e seus tratamentos podem alterar a composição do microbioma, criando uma relação dinâmica entre tumor, microrganismos e sistema imunológico. O artigo ‘The role of the urinary and gut microbiome in bladder cancer: emerging insights and clinical implications’ foi publicado em abril de 2026 na revista científica Uro, da MDPI – doi: 10.3390/uro6020010.

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