A luz azul emitida por celulares, tablets e televisores, antes de dormir, tem afetado diretamente a qualidade do sono. Dados de um estudo conduzido pela Harvard Medical School, publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, mostram que essa exposição pode reduzir de 20% a 50% a produção de melatonina, hormônio responsável por regular o sono. O resultado é um atraso no início do descanso e noites menos reparadoras.
Os números trazem uma reflexão sobre o papel da luz no cotidiano e, principalmente, sobre os impactos do excesso de exposição às telas durante a noite. Na rotina, os efeitos costumam aparecer rapidamente e incluem dificuldade para pegar no sono, despertares frequentes durante a madrugada, redução do tempo total de descanso e sensação constante de cansaço ao longo do dia. Irritabilidade, sonolência excessiva e queda de produtividade também estão entre as queixas mais comuns.
De acordo com a médica otorrinolaringologista Thaina Machado, do Vera Cruz Centro Médico Indaiatuba, os prejuízos vão além das noites mal dormidas. “Há também evidências de impactos na saúde como dores de cabeça frequentes, irritabilidade, ansiedade e até sintomas depressivos”, explica. A especialista ressalta, ainda, que o período noturno é especialmente delicado para o organismo, pois é justamente à noite que ocorre a produção natural de melatonina.
Higiene do sono
Como a luz emitida pelas telas interfere no processo da melatonina, também mantém o cérebro em estado de alerta quando, na verdade, deveria estar desacelerando para o descanso. Portanto, quanto maior o tempo de exposição, maiores tendem a ser os prejuízos, incluindo aumento da ansiedade e sensação persistente de fadiga.
Embora o uso de dispositivos eletrônicos seja praticamente inevitável, pequenas mudanças de hábitos e medidas simples podem ajudar a preservar a qualidade do sono. A especialista também recomenda reorganizar o consumo de conteúdo ao longo do dia. “O ideal é dar prioridade ao uso das telas em horários mais cedo e não realizar atividades muito estimulantes”, acentua. Evitar as redes sociais e jogos no período noturno também ajuda a minimizar os impactos no organismo. “Em uma sociedade cada vez mais conectada, encontrar equilíbrio tornou-se fundamental”, orienta. Para a médica, além de eliminar as telas, o desafio é aprender a utilizá-las de forma consciente, especialmente quando se trata de saúde, sono e qualidade de vida.
Mudanças de hábitos
- Evitar o uso de telas na cama ou próximo ao horário de dormir
- Silenciar notificações para reduzir interrupções durante a noite
- Diminuir a iluminação dos ambientes no período noturno
- Buscar maior exposição à luz natural ao longo do dia
- Criar um ritual de relaxamento antes de dormir, com leitura, meditação ou banho morno

