Selo de 25 ano - Revista Super Saudável
Gravidez na adolescência

• Dicas Saudáveis

Gravidez na adolescência segue em patamar elevado no Brasil

Escrito por: Fernanda Ortiz

A gravidez na adolescência segue em patamar elevado no Brasil e ainda é impactada por mitos e desinformação. Um levantamento da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul, aponta que 1 em cada 23 adolescentes entre 15 e 19 anos dá à luz no País. Este número corresponde a uma taxa média de 43,6 nascimentos por 1000 meninas nesta faixa etária, média acima de países com renda semelhante. Embora tenha havido leve queda na última década, especialistas afirmam que a prevenção ainda enfrenta desafios que vão além do acesso a métodos contraceptivos.

De acordo com a enfermeira obstetra Cora Caroline Santos Pereira, coordenadora do Centro de Parto Natural do Hospital Maternidade Paulino Werneck, no Rio de Janeiro, crenças equivocadas e desinformação seguem influenciando diretamente as escolhas das adolescentes. “Na prática, muitas delas chegam convencidas de que a camisinha não funciona ou de que métodos hormonais fazem mal, o que interfere nas decisões”, afirma.

Entre os mitos mais comuns estão a ideia de que o preservativo reduz o prazer, de que a pílula anticoncepcional sempre causa ganho de peso e de que ‘adolescente não engravida com facilidade’. Para a especialista, esses equívocos têm impacto direto na prevenção. “A gravidez na adolescência é real e elevada. Ignorar isso por causa de mitos é um risco”, alerta.

Se até pouco tempo o principal problema era a falta de informação, hoje o desafio está no excesso de conteúdo sem base científica nas redes sociais. “Os adolescentes estão expostos a opiniões e relatos pessoais que nem sempre têm respaldo científico. Por isso, o papel dos serviços de saúde é oferecer um espaço seguro, sem julgamento, onde dúvidas possam ser esclarecidas com responsabilidade”, recomenda a especialista.

Cuidados essenciais

A prevenção da gravidez na adolescência não depende de um único fator, mas de um conjunto de ações combinadas entre educação, acesso à saúde e diálogo. O ponto central é garantir que adolescentes tenham informação confiável e consigam transformar esse conhecimento em escolhas seguras.

Entre as abordagens, a educação sexual é uma das principais ferramentas. “Quando trabalhada de forma contínua nas escolas e em casa, contribui para o entendimento sobre o corpo, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e uso correto de métodos”, avalia a enfermeira. Além disso, o uso consistente do preservativo, associado ou não a outros métodos, segue como uma das formas mais eficazes de prevenção.

Serviços de saúde, especialmente o SUS, desempenham papel central ao oferecer orientação, atendimento e fornecimento gratuito de métodos contraceptivos. Para a especialista, o diálogo também faz diferença. “Conversar sobre sexualidade com responsáveis, profissionais de saúde e educadores ajuda a esclarecer dúvidas sem julgamento e aumenta a chance de decisões mais seguras”, conclui.

DIREITOS RESERVADOS ®
Proibida a reprodução total ou parcial sem prévia autorização da Companhia de Imprensa e da Yakult.

• Matérias da Edição

• Mais sobre Dicas Saudáveis