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Cuidar da mente ajuda a controlar a pressão arterial

Escrito por: Elessandra Asevedo

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de um terço da população adulta apresenta diagnóstico de hipertensão. A condição é considerada um dos principais fatores de risco para infarto e acidente vascular cerebral (AVC) e que costuma evoluir de forma silenciosa, sem sintomas claros. Além disso, a relação entre saúde mental e hipertensão arterial tem chamado a atenção de pesquisadores e médicos.

Além dos fatores tradicionais como genética, alimentação rica em sal, sedentarismo e obesidade, evidências recentes indicam que transtornos de ansiedade, estresse crônico e depressão também podem contribuir para o surgimento e agravamento da doença.

Um estudo publicado no Journal of the American Heart Association e uma ampla revisão sistemática de 2025 mostram que a presença simultânea de ansiedade e depressão esteve associada à maior probabilidade de hipertensão em jovens adultos, sugerindo que a saúde mental e fatores emocionais podem influenciar não apenas o bem-estar psicológico, mas também a saúde cardiovascular.

De acordo com o médico cardiologista Luciano Drager, coordenador de Ensino e Pesquisa em Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês, a hipertensão é uma condição complexa e multifatorial, resultado da interação entre predisposição genética e fatores ambientais. “Tradicionalmente, olhávamos mais para fatores como idade, obesidade, sedentarismo e consumo de sal. Mas, hoje, sabemos que transtornos de humor, como ansiedade e depressão, também podem contribuir para o desenvolvimento da hipertensão”, afirma.

Em busca da saúde mental

Os episódios frequentes de estresse e ansiedade podem desencadear reações fisiológicas que, ao longo do tempo, impactam a pressão arterial. “Esses quadros ativam respostas de alerta no organismo, com liberações repetidas de adrenalina e outros hormônios do estresse. Quando esse processo se torna crônico, pode favorecer a elevação sustentada da pressão arterial”, explica o médico.

O estresse também pode atuar de forma indireta ao influenciar hábitos de vida associados ao risco cardiovascular. Alterações no sono, alimentação desregulada, sedentarismo e ganho de peso são comportamentos frequentemente relacionados a rotinas estressantes. Muitas vezes, o estresse vem acompanhado de noites mal dormidas, piora da alimentação e menor prática de atividade física. Esse conjunto de fatores também contribui para o aumento da pressão.

Para reduzir o risco, a recomendação é apostar em uma combinação de hábitos saudáveis. Portanto, mais do que proibir, o caminho é orientar de forma prática. “Manter uma alimentação equilibrada, reduzir o consumo de sal, praticar atividade física e cuidar da qualidade do sono são medidas essenciais”, destaca o cardiologista.

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