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Saúde mental

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Saúde mental masculina merece atenção

Escrito por: Elessandra Asevedo

A ideia de que homens devem ser fortes o tempo todo, não demonstrar sentimentos e resistir à dor emocional ainda é um obstáculo na busca por saúde mental. Apesar dos avanços nas discussões sobre cuidado emocional, muitos homens ainda enfrentam resistência, tanto interna quanto social, para reconhecer fragilidades e buscar ajuda psicológica.

O resultado é preocupante, gerando subnotificação de transtornos, agravamento de sintomas e aumento do risco de doenças graves, como depressão e até tentativas de suicídio. De acordo com o psicólogo Murilo Assis, esse cenário está diretamente ligado à cultura machista. “A masculinidade passa a ser tóxica quando o homem cria a fantasia de que não pode adoecer e precisa ser sempre forte, enxergando a vulnerabilidade emocional como fraqueza”, afirma o professor de Psicologia da Una.

Essa visão enraizada compromete não só o bem-estar e a saúde mental, mas também as relações interpessoais, o desempenho no trabalho e a qualidade de vida de forma geral. Isso porque, quando os sentimentos são negados ou reprimidos há aumento de doenças psicossomáticas, piora nos quadros de transtornos mentais e maior probabilidade de tentativa de autoextermínio.

O corpo fala

Mesmo quando não colocam em palavras o que sentem, os sinais de que algo não vai bem costumam aparecer no comportamento. Mudanças como isolamento social, irritabilidade excessiva ou queda no desempenho ocupacional são indicativos de que a saúde emocional está comprometida.

Em muitos casos, o humor sarcástico e as piadas sobre terapia ou sentimentos funcionam como defesa. A dica do especialista é abordar o assunto com empatia, oferecendo informações e acolhimento sem julgamento. “A escuta ativa e a validação das emoções são fundamentais. É possível acolher sem ferir a autoestima ou a identidade masculina”, pontua.

Ajuda é necessária

Para mudar esse cenário, a psicoterapia é uma aliada importante. O trabalho oferece escuta qualificada e ambiente acolhedor. Além disso, recursos como o questionamento socrático ajudam o paciente a desenvolver autoconhecimento, autocontrole e bem-estar biopsicossocial.  “A desconstrução, no entanto, não é apenas individual e passa por família, amigos, instituições de ensino e locais de trabalho”, sinaliza.

Para o psicólogo, é preciso oferecer aos homens educação emocional, promovendo campanhas e diálogos que valorizem a saúde mental como parte essencial do cuidado humano. “Embora se fale mais sobre o tema hoje em dia, nem sempre há diferença entre gerações”, pontua.

Assim, tanto jovens e adultos como homens mais velhos podem compartilhar bloqueios semelhantes, dependendo de vivência, contexto cultural e ambiente de formação. “Buscar ajuda não é sinal de fraqueza, mas de coragem. Reconhecer que se precisa de apoio é o primeiro passo para reconstruir o que significa, de fato, ser homem”, conclui.

 

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