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Acidente vascular cerebral

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Protetor cerebral para tratamento de AVC e Alzheimer

Escrito por: Elessandra Asevedo

Pesquisadores brasileiros estão desenvolvendo um neuroprotetor que atua para evitar a expansão da lesão secundária no acidente vascular cerebral (AVC), o que diminuiria as sequelas dos pacientes. O projeto foi desenvolvido com o Centro de Inovação e Ensaios Pré-Clínicos (Cienp), de Florianópolis (SC), sob a coordenação do pesquisador João Batista Calixto, com o apoio da Unidade Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

A grande inovação é que o fitoterápico neuroprotetor não tem efeitos tóxicos como os alopáticos já testados, que podem induzir psicose e alucinações. A medicação poderá ser usada dias após o AVC e não apenas poucas horas depois do início dos sintomas. Atualmente, as medicações disponíveis atuam somente para dissolver o trombo – massa que obstrui o vaso durante um AVC isquêmico.

De acordo com o pesquisador João Batista Calixto, essa nova alternativa terapêutica poderá disponibilizar o tratamento para milhares de pacientes que sofreram um acidente vascular cerebral. “Assim, seria possível reduzir drasticamente os índices de invalidez decorrentes do AVC, que hoje figura entre as principais causas de morte e incapacidade no Brasil e no mundo”, avalia. Para o Sistema Único de Saúde (SUS), uma terapêutica mais eficaz poderá diminuir os custos com internações prolongadas, reabilitação de longo prazo e aposentadorias precoces por invalidez.

A startup demandante do projeto é a Neuroprotect, fundada pelo biomédico e neurocientista Walace Gomes Leal, autor da pesquisa e professor da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). O trabalho conta com o envolvimento de 12 pesquisadores com formação de doutorado e pós-doutorado no Brasil e no exterior, além de cinco técnicos de nível superior, alguns com mestrado e doutorado.

O pesquisador brasileiro Allyson Muotri, da Universidade da Califórnia, em San Diego (Estados Unidos), vai testar o neuroprotetor em modelo experimental de Alzheimer. “Ele vai fazer os testes em minicérebros que envelhecem na Estação Espacial e apresentam alguns sintomas de Alzheimer, como acúmulo de beta amiloide no tecido e intensa neuroinflamação”, explica o neurocientista Walace Gomes Leal.

Pesquisa revolucionária

Há mais de 15 anos, o biomédico Walace Gomes Leal se dedica a pesquisar lesões cerebrais da medula espinhal e do cérebro usando modelos, inicialmente experimentais, no laboratório do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Ufopa. Em 2012, o grupo de pesquisa publicou o primeiro estudo no mundo mostrando que o óleo de copaíba é neuroprotetor em lesão aguda do cérebro.

“Desde então, investigamos umas seis plantas da Amazônia para AVC usando pistas da medicina popular para iniciar o estudo. Uma delas, codificada como ST-165, mostrou um grande efeito anti-inflamatório e neuroprotetor na medula espinhal em duas teses de doutorado que orientei”, informa. Foi então que a equipe decidiu transformar o ST-165 em um neuroprotetor para o AVC humano.

Em 2022, o grupo buscou recursos para fazer os testes pré-clínicos. As etapas incluíram testes de prova da eficácia, para ver se o produto pode induzir mutação no DNA e causar câncer, se pode lesionar órgãos internos. Além disso, foram realizados testes de mecanismos de ação, entre outros, que confirmaram a eficácia do produto. A expectativa dos pesquisadores é que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorize os testes clínicos em humanos ainda neste ano.

Degeneração

Quando um indivíduo sofre um acidente vascular cerebral, o cérebro tem uma primeira lesão que se expande com o tempo, podendo chegar de 60% a 70% do tamanho inicial. Esse crescimento é chamado de degeneração secundária, que ocorre principalmente por uma neuroinflamação exagerada no cérebro e pela formação de substâncias lesivas chamadas radicais livres. O neuroprotetor em desenvolvimento atua exatamente para evitar a expansão da lesão secundária, a mais grave, o que diminuiria as sequelas dos pacientes.

Existem dois tipos de AVC: o isquêmico, em que um vaso sanguíneo do cérebro, como uma artéria, é obstruído por uma massa estacionária chamada trombo (coágulo) e o hemorrágico, quando a artéria rompe. Cerca de 80% dos casos são de AVC isquêmico. Quando isso acontece, os neurônios e outras células do cérebro ficam sem oxigênio e nutrientes e começam a morrer.

Com isso, o paciente apresenta sequelas que podem ser permanentes ou parciais, dependendo da intensidade do AVC. Os sintomas dependem da área do cérebro que é afetada, mas podem incluir problemas no tato, paralisia do músculo, boca torta, convulsão mental, desorientação temporal e espacial. Normalmente ocorre um lado do corpo, no lado oposto ao lado do cérebro que foi afetado.

Incidência alta e riscos

O acidente vascular cerebral é um grave problema de saúde pública mundial. No Brasil, o AVC registra cerca de 978 novos casos por dia. A doença impõe uma alta taxa de mortalidade, resultando em uma morte a cada 6 minutos e superando o número de óbitos por infarto. A projeção é que ocorram 10 milhões de mortes por AVC até 2050. Já a doença de Alzheimer atinge 70 milhões de pessoas no mundo, sem contar as outras doenças neurodegenerativas crônicas como mal de Parkinson, doença de Huntington e esclerose lateral amiotrófica.

 

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