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IA identifica sinais precoces de doenças incapacitantes

Escrito por: Elessandra Asevedo

Segundo o Ministério da Saúde, as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) são responsáveis por cerca de 54% das mortes no Brasil. No entanto, parte da população só descobre as doenças crônicas quando já comprometeram a qualidade de vida, produtividade e, em muitos casos, a própria autonomia. Mais recentemente, com a ajuda da tecnologia e da inteligência artificial (IA), a Medicina passa a oferecer recursos que possibilitam o diagnóstico precoce de muitas dessas enfermidades.

De acordo com o médico oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, uma nova tecnologia está permitindo que o olho se torne uma verdadeira janela para diagnósticos. Assim, além das doenças oculares é possível diagnosticar diversas outras condições sistêmicas anos antes dos primeiros sinais. “Estamos vivendo uma transição da Medicina reativa para a preditiva, por exemplo, com o AirDoc,  um retinógrafo guiado por inteligência artificial”, afirma.

O equipamento tem precisão de mais de 95%, pois foi treinado a partir de mais de 10 milhões de imagens da retina e abalizado por 300 oftalmologistas em todo o mundo. O AirDoc captura imagens de alta resolução do fundo do olho em segundos, sem dilatação pupilar. Então, analisa padrões retinianos para auxiliar na triagem precoce de dezenas de anormalidades oculares e riscos de doenças sistêmicas e crônicas.

A inovação permite antecipar em 20 anos o risco de Alzheimer e outros tipos de demência, por exemplo. A nova tecnologia também antecipa em 10 anos o diagnóstico de enfermidades que são uma verdadeira epidemia no Brasil. Entre elas estão diabetes, hipertensão arterial, aterosclerose, alterações cardiovasculares, risco de infarto e de acidente vascular cerebral (AVC), assim como anemia, retinopatia e degeneração macular.

Olhos e saúde

O fundo do olho sempre foi de grande interesse da Oftalmologia por ser a única  área do corpo que permite um panorama da saúde através de vasos dilatados, tortuosos, pequenos aneurismas e outras alterações. “Diversos estudos apontam uma correlação relevante entre doenças oculares e condições como demência, depressão e declínio cognitivo”, acentua o especialista. Por esse motivo, a recomendação é que, a partir dos 50 anos, a consulta oftalmológica seja anual.

Isso porque os olhos também envelhecem e  sofrem alterações importantes. “A perda visual impacta diretamente na autonomia, na interação social e na saúde mental, reforçando a importância da Oftalmologia como parte da saúde integral”, reforça. Com a inteligência artificial prevendo os riscos, portanto, é possível mudar o estilo de vida muito antes de ocorrerem graves comprometimentos da saúde.

Dicas de prevenção

  • Evitar o sedentarismo
  • Manter uma alimentação equilibrada
  • Evitar excesso de ultraprocessados, açúcar e sal
  • Eliminar o tabagismo
  • Diminuir o consumo de álcool
  • Não expor os olhos ao sol sem lentes com filtro UV
  • Praticar atividade física regular
  • Controlar o peso
  • Monitorar glicemia e colesterol

 

 

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