As bactérias do ácido lático são comumente utilizadas para a fabricação de produtos lácteos fermentados e conhecidas por terem excelentes efeitos nutricionais e aromatizantes. Estudos têm revelado, ainda, que algumas cepas dessas bactérias têm efeitos promotores na saúde através da melhora da microbiota intestinal e da modulação do sistema imunológico. Uma dessas cepas é o Lactobacillus casei Shirota (LcS).
Em estudos com humanos, uma preparação com Lactobacillus casei Shirota mostrou prevenir a recorrência de câncer superficial de bexiga. Ademais, tem sido sugerido um possível efeito do Lactobacillus casei Shirota no sistema imunológico. Além disso, a ingestão habitual de bactérias do ácido lático contendo LcS tem mostrado capacidade de reduzir o risco de câncer de bexiga. Ao mesmo tempo, um efeito benéfico sobre o sistema imunológico de pessoas saudáveis também foi sugerido.
Para comprovar essas hipóteses, cientistas examinaram o efeito do consumo de leite fermentado contendo Lactobacillus casei Shirota no sistema imunológico de adultos saudáveis. “O estudo investigou especialmente os mecanismos intrínsecos do efeito antitumoral da cepa na atividade nas células NK e nas células do sangue periférico”, relatam os autores.
Detalhamento
O estudo teve participação de nove voluntários saudáveis com idades entre 30 e 45 anos, e 10 voluntários idosos (55 a 75 anos) que apresentavam níveis de atividade da célula NK relativamente baixos. Os participantes foram separados em dois grupos – experimental e controle –, e o estudo foi realizado duas vezes, alternando os grupos.
O grupo experimental consumiu um frasco de Yakult 400 (disponível no Japão) todo dia após o almoço, por três semanas. Enquanto isso, o grupo controle consumiu a mesma quantidade de leite não fermentado, com composição similar ao Yakult 400 – exceto pelo LcS –, também todo dia após o almoço pelo mesmo período.
Amostras de sangue foram coletadas antes da ingestão do produto lácteo, após uma e três semanas do início do consumo; três semanas e dois meses após o período de acompanhamento. Os dados das análises sorológicas indicaram que as condições de saúde de todos os participantes permaneceram boas durante o período de estudo. Todos os experimentos foram realizados de acordo com o Guia da Declaração de Helsinki e do Comitê de Ética para Experimentos Clínicos da Escola de Medicina da Universidade de Juntendo.
Resultados
Os achados mostraram que a atividade das células NK no grupo experimental aumentou significativamente após uma semana e três semanas do início da ingestão de leite fermentado com Lactobacillus casei Shirota, se comparado com a atividade das células NK antes da ingestão. “A atividade das células NK permaneceu elevada pelas três semanas seguintes e, dois meses após o período de ingestão, verificou-se que a atividade dessas células de defesa retornou quase ao mesmo nível de antes da ingestão”, relatam os autores.
Por outro lado, o nível de atividade das células NK no grupo controle não mudou significativamente durante todo o período experimental. Além disso, a magnitude do aumento da atividade dessas células de defesa, induzida pela ingestão de leite fermentado, foi inversamente correlacionada com os níveis de atividade das células NK antes da ingestão.
De acordo com os autores, esses resultados sugerem que a ingestão contínua de leite fermentado contendo Lactobacillus casei Shirota é eficaz para aumentar a atividade das células NK. O efeito é particularmente notável nos indivíduos que apresentam baixos níveis de atividade dessas células. O estudo ‘Effect of a fermented milk drink containing Lactobacillus casei strain Shirota on the human NK cell activity’ foi publicado no The Journal of Nutrition – doi: 10.1093/jn/137.3.791S.

