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Microrganismos inanimados

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Probiótico inanimado beneficia adultos com excesso de peso

Escrito por: Adenilde Bringel

A Associação Científica Internacional de Probióticos e Prebióticos (ISAPP, na sigla em inglês) define pós-bióticos como preparações de microrganismos inanimados e/ou seus componentes que conferem um benefício para a saúde. Esses pós-bióticos compreendem células inteiras inativadas pelo calor e constituintes bioativos, como fragmentos da parede celular, peptidoglicanos, ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) e polissacarídeos extracelulares que retêm a atividade biológica apesar da inativação microbiana.

De acordo com pesquisadores indianos, dentre os candidatos a pós-bióticos estão as espécies de Lactiplantibacillus plantarum, que foram amplamente investigadas por suas propriedades promotoras da saúde intestinal. “Certas cepas de L. plantarum aumentam a produção de mucina intestinal, fortalecem a integridade da barreira epitelial e exercem efeitos anti-inflamatórios”, resumem. Dessa forma, suprimem cascatas de citocinas pró-inflamatórias, incluindo interleucina-6 (IL-6) e fator de necrose tumoral-α (TNF-α).

Para avaliar a capacidade desses microrganismos inanimados, os cientistas desenvolveram um estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo de 84 dias. O experimento avaliou os efeitos na saúde intestinal do Lactiplantibacillus plantarum (beLP1®) morto pelo calor e envolveu adultos saudáveis (com idade entre 18 e 45 anos). Todos estavam dentro da faixa de índice de massa corporal (IMC) de 25-35 kg/m2 e tinham um histórico de ≥3 meses de desconforto gastrointestinal leve a moderado – confirmado pela Escala de Avaliação de Sintomas Gastrointestinais (GSRS).

O estudo

Assim, 140 adultos foram divididos igualmente para receber diariamente beLP1® (>30 bilhões de células) ou placebo. Um total de 103 participantes completou o estudo sem desvios do protocolo e foi incluído na análise primária por protocolo (PP). “Esta análise predefinida compara diretamente os braços beLP1® e placebo usando análise de covariância (ANCOVA), complementada por dois testes t de Student de amostra independente”, detalham os autores.

O desfecho primário foi a mudança nos sintomas gastrointestinais através do GSRS, enquanto os desfechos secundários incluíram a Escala de Estresse Percebido (PSS), o Questionário de Qualidade de Vida associado à Digestão (DQLQ), o Fator de Necrose Tumoral-alfa (TNF-α). Ademais, incluiu parâmetros lipídicos, Absorção de Raios X de Energia Dupla (DEXA) e diversidade do microbioma intestinal por sequenciamento metagenômico de próxima geração (NGS).

De acordo com os autores, os desfechos primários e secundários avaliaram mudanças na gravidade dos sintomas gastrointestinais, estresse percebido e qualidade de vida associada à digestão. Além disso, foram avaliados marcadores inflamatórios sistêmicos (TNF-α), perfis lipídicos, composição corporal DEXA e composição taxonômica e do resistoma da microbiota intestinal via sequenciamento metagenômico.

Achados

Em comparação com o placebo, o beLP1® reduziu significativamente as pontuações totais da escala GSRS nos dias 42 e 84, com melhorias proeminentes nos domínios de dor abdominal e síndrome dispéptica. Além disso, reduções significativas no estresse percebido e melhorias na qualidade de vida associada à digestão também foram alcançadas simultaneamente. “A análise metagenômica revelou uma modulação favorável da microbiota intestinal, caracterizada por um enriquecimento de várias bactérias produtoras de ácidos graxos de cadeia curta e uma redução significativa de múltiplos patógenos oportunistas”, acentuam os autores.

Apesar disso, não houve mudanças significativas no TNF-α sérico, perfis lipídicos ou métricas de composição corporal DEXA. Em conclusão, os autores afirmam que o microrganismo inativado (pós-biótico) beLP1® alivia de forma segura e progressiva os sintomas gastrointestinais, reduz o estresse e otimiza a composição do microbioma em adultos com excesso de peso. O artigo ‘Gut health and microbiome modulation by the heat-killed postbiotic beLP1® in adults with excess weight: a randomized, placebo-controlled trial’ foi publicado em 2026 no Frontiers in Nutrition – doi: 10.3389/fnut.2026.1919277.

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