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Probióticos como adjuvantes da saúde do fígado

Escrito por: Adenilde Bringel

As bactérias probióticas têm tido seus efeitos benéficos bem estabelecidos pela ciência no tratamento de doenças diarreicas. Além disso, evidências mais recentes sugerem que os probióticos têm o potencial de reduzir o risco de desenvolvimento de doenças inflamatórias intestinais (DII) e supercrescimento bacteriano intestinal após cirurgias gastrointestinais. Já na saúde hepática, os principais benefícios podem ocorrer por meio da prevenção da produção e/ou da absorção de lipopolissacarídeos no intestino, reduzindo, portanto, os níveis de inflamação de baixo grau.

De acordo com os autores de uma revisão científica sobre bactérias probióticas na saúde hepática, o metabolismo da gordura hepática também parece ser influenciado pela presença de bactérias comensais e, potencialmente, por probióticos. “Os probióticos podem ser de grande importância, pois a inflamação de baixo grau, a infiltração de gordura no fígado e a hepatite poderão se tornar mais prevalentes como resultado da alta ingestão de gordura e do aumento da obesidade”, acentuam.

Os cientistas explicam, ainda, que existe uma prática consolidada de uso de lactulose no tratamento da encefalopatia hepática, o que sugere o envolvimento da microbiota intestinal no manejo da doença hepática crônica. “As ações dos probióticos mais relevantes para a doença hepática são a modificação da função da barreira intestinal e a prevenção da translocação bacteriana”, sinalizam.

Além disso, há uma forte correlação entre a taxa de translocação bacteriana (TB) e a gravidade da cirrose. Dentre os fatores que contribuem para o aumento da TB está o aumento da permeabilidade intestinal e a imunidade comprometida. “Como os probióticos podem alterar a microbiota intestinal, favorecem organismos protetores e aumentam a função de barreira”, argumentam os autores.

A partir dos estudos em humanos avaliados na revisão, os autores sugerem que a microbiota intestinal seja um cofator importante na etiologia da doença hepática crônica. Ademais, os probióticos podem ter um papel terapêutico. “Ao que tudo indica, as aplicações clínicas específicas de probióticos são seguras, eficazes e podem ser claramente recomendadas”, sinalizam.

Comprovação

Um artigo publicado recentemente no Pravda.RU, na Rússia, comprovou que tomar probióticos e simbióticos está associado à melhora da função hepática e redução da inflamação em pacientes com doença hepática gordurosa. Os resultados da análise mostram que esses suplementos ajudam a reduzir a quantidade de gordura nos tecidos do órgão, mas não substituem a terapia básica.

Os pesquisadores analisaram os dados de mais de 1.000 pacientes diagnosticados com doença hepática gordurosa, o que aumenta o risco de hepatomegalia (aumento de órgãos) e cirrose. Os participantes foram divididos em grupos probióticos e placebo. O período de observação foi de seis meses a dois anos. De acordo com os resultados, os pacientes que receberam probióticos registraram uma diminuição nos marcadores inflamatórios e uma diminuição no volume de depósitos de gordura no fígado em comparação com o grupo controle.

Os simbióticos também demonstraram um efeito positivo, e o mecanismo de ação foi associado à normalização da microbiota intestinal. Os autores afirmam que a violação do equilíbrio bacteriano no trato gastrointestinal pode aumentar os processos patológicos no fígado. “A correção do microbioma ajuda a reduzir a inflamação sistêmica e melhorar o metabolismo”, finalizam.

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