Alguns sinais aparentemente simples do corpo podem esconder o câncer gástrico, porque costumam ser confundidos com doenças comuns do estômago. Além disso, muitos casos só são descobertos quando a enfermidade já está avançada, o que reduz as chances de cura. O câncer gástrico representa a terceira principal causa de mortalidade por neoplasias malignas em ambos os sexos, sendo a quinta mais frequente em âmbito mundial, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Segundo o médico oncologista Lucas Vieira dos Santos, o câncer gástrico pode se manifestar de forma silenciosa. “Os sintomas mais comuns são dor na região do estômago, sensação de estufamento, má digestão e saciedade precoce”, explica. Como são sinais parecidos com os de problemas simples de estômago, como gastrite e úlcera, o diagnóstico costuma demorar.
Por isso, sintomas persistentes que duram mais que algumas semanas merecem atenção médica. Outro alerta importante é que o hábito de tomar medicamentos para dores ou desconfortos no estômago sem prescrição de um especialista pode mascarar a doença, atrasando o diagnóstico.
Confirmação
O câncer gástrico só pode ser confirmado por meio de uma endoscopia digestiva alta. O exame permite visualizar o interior do estômago e coletar pequenas amostras de tecido para análise. O oncologista afirma que, diferentemente de países como Japão e Coreia do Sul, o Brasil não faz rastreamento preventivo de rotina. “Por isso, a maioria dos diagnósticos acontece apenas quando os sintomas já apareceram”, pontua.
Quando o câncer de estômago é descoberto no início, as chances de cura são muito maiores. Outro ponto fundamental é o acompanhamento em centros especializados e com equipes multidisciplinares. “Tanto no sistema público de saúde quanto no privado, é possível ter bons resultados quando há uma rede bem estruturada de cuidados”, define o especialista.
Medicina personalizada e novas terapias
A Oncologia tem avançado com tratamentos personalizados que levam em conta os biomarcadores, ou seja, características específicas de cada tumor, sejam proteínas, genes ou outras moléculas. Um dos biomarcadores que devem ser testados em todos os pacientes com câncer gástrico é a Claudina 18.2, presente em 38% dos pacientes com esse tipo de câncer. Presente na membrana de células gástricas normais, a proteína tende a se mostrar anormal após a transformação maligna das células, o que a torna um alvo específico e com menor risco de afetar tecidos saudáveis.
Pesquisas recentes têm apontado a Claudina 18.2 como um biomarcador promissor no tratamento do câncer gástrico e do adenocarcinoma da junção gastroesofágica. Os dois tipos de tumores, em geral, são diagnosticados em estágios avançados e apresentam prognóstico desfavorável.
De acordo com o especialista, a identificação de pacientes com tumores que expressam Claudina 18.2 pode abrir caminho para terapias mais personalizadas e eficazes, aumentando as chances de resposta e reduzindo os efeitos adversos. “A descoberta e validação de novos biomarcadores como a Claudina 18.2 é um passo importante rumo a uma Oncologia de precisão para o câncer gástrico”, acentua.

