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Lúpus eritematoso sistêmico

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Desinformação ainda dificulta diagnóstico do lúpus

Escrito por: Fernanda Ortiz

O lúpus é uma doença inflamatória crônica de origem autoimune, que pode comprometer diferentes órgãos de forma simultânea ou progressiva. No Brasil, não há dados oficiais consolidados sobre a incidência da doença. Ainda assim, estimativas de entidades médicas indicam que o problema atinge entre 150 mil e 300 mil pessoas, com maior ocorrência entre mulheres jovens. Existem quatro tipos principais de lúpus: o lúpus eritematoso sistêmico, o lúpus cutâneo (discoide), o lúpus induzido por drogas e o lúpus neonatal. A enfermidade ainda é cercada por mitos e desinformação, o que pode dificultar o diagnóstico e o início do tratamento adequado. Portanto, informações confiáveis são fundamentais para o entendimento e controle da doença.

De origem multifatorial, o lúpus envolve fatores genéticos, hormonais, imunológicos e ambientais que contribuem para o surgimento da doença. Nessa condição, o sistema de defesa do organismo passa a atacar estruturas do próprio corpo, provocando diferentes processos inflamatórios. “A forma mais comum é o lúpus eritematoso sistêmico, que pode afetar órgãos e sistemas como pele, articulações, rins, pulmões e células do sangue”, descreve o reumatologista Edgar Reis, membro da Comissão de Lúpus da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR).

O diagnóstico pode ser complexo devido à variedade de manifestações clínicas e à semelhança com outras doenças autoimunes. “A investigação costuma combinar avaliação clínica detalhada e testes laboratoriais”, detalha o patologista Hugo Magalhães, da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP). Entre eles estão o fator antinuclear (FAN), Anti-SM e Anti-DNA, além de hemograma, análise de urina e avaliação da função renal. De acordo com o médico, esses recursos ajudam a identificar alterações associadas à doença. Em alguns casos, exames de imagem e biópsias também podem ser necessários para confirmar o diagnóstico e avaliar o grau de comprometimento dos tecidos.

Apesar de não ter cura, o tratamento do lúpus evoluiu significativamente nas últimas décadas e permite controlar a doença com acompanhamento médico e farmacológico adequado. Assim, o paciente pode estudar, trabalhar e planejar a vida, desde que siga as orientações médicas. “Exames laboratoriais e biópsias são fundamentais para acompanhar o quadro e identificar sinais de inflamação, além da presença de autoanticorpos. Por isso, a integração entre clínica, laboratório e patologia é essencial para um diagnóstico correto”, reforça o patologista Hugo Magalhães.

Estigma

A desinformação ainda é um dos principais desafios no enfrentamento do lúpus. Entre os mitos mais comuns está a crença de que a doença é contagiosa, o que não é verdade por se tratar de uma condição autoimune. “Também há a ideia de que todos os pacientes apresentam os mesmos sintomas ou o mesmo grau de gravidade, quando na realidade o quadro varia de forma individual”, comenta o reumatologista Edgar Reis.

Outra interpretação incorreta é a de que o lúpus impede uma vida ativa, embora muitos pacientes consigam estudar, trabalhar e manter a rotina com acompanhamento médico. Essas percepções podem atrasar o diagnóstico e o início do tratamento. Por isso, ampliar o conhecimento sobre a doença é fundamental para combater o estigma e favorecer o diagnóstico precoce.

Conheça as diferenças

  • Lúpus discoide:esse tipo de lúpus fica limitado à pele e pode ser identificado com o surgimento de lesões avermelhadas com tamanhos, formatos e colorações específicas, especialmente no rosto, na nuca e/ou no couro cabeludo.
  • Lúpus eritematoso sistêmico:esse tipo é o mais comum e pode ser leve ou grave, conforme cada situação. Nessa forma da doença, a inflamação ocorre em todo o organismo, o que compromete vários órgãos ou sistemas como pele, rins, coração, pulmões, sangue e articulações. Algumas pessoas que têm o lúpus discoide podem, eventualmente, evoluir para o lúpus sistêmico.
  • Lúpus induzido por drogas:essa forma também é comum e ocorre porque as substâncias presente em algumas drogas ou medicamentos podem provocar inflamação com sintomas parecidos com o lúpus sistêmico. No entanto, a doença tende a desaparecer assim que o uso da substância for encerrado.
  • Lúpus neonatal:esse tipo é bastante raro e afeta filhos recém-nascidos de mulheres que têm lúpus. Normalmente, ao nascer, a criança pode ter erupções na pele, problemas no fígado ou baixa contagem de células sanguíneas. No entanto, esses sintomas tendem a desaparecer naturalmente após alguns meses.

Fonte: Ministério da Saúde

 

Saiba mais no podcast com o médico Odirlei André Monticielo

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