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Câncer colorretal

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A microbiota intestinal como moduladora oculta da quimioterapia

Escrito por: Elessandra Asevedo

O câncer colorretal é o terceiro câncer mais diagnosticado e a segunda causa mais comum de mortalidade pela doença no mundo. A quimioterapia continua sendo a base do tratamento, especialmente em doenças metastáticas e avançadas. Ao longo da última década, entretanto, a premissa que a microbiota intestinal é um fator crítico para otimizar os resultados da quimioterapia no câncer colorretal oferece um caminho para a Oncologia de precisão por meio de diagnósticos e terapias guiadas.

A microbiota intestinal, composta por trilhões de microrganismos, é uma comunidade extremamente dinâmica que desempenha extensas funções metabólicas. Esses microrganismos podem influenciar direta ou indiretamente a farmacocinética, por exemplo, absorção, distribuição, metabolismo e excreção. Ao mesmo tempo, podem interferir com a farmacodinâmica, como eficácia e toxicidade dos fármacos e de agentes quimioterápicos.

Essas evidências chamaram a atenção de pesquisadores do Irã que desenvolveram um estudo sobre o tema. O foco era examinar os mecanismos pelos quais a microbiota intestinal modula o metabolismo e a eficácia dos fármacos quimioterápicos na doença. “O trabalho elucida mecanismos moleculares, avalia evidências clínicas, propõe estratégias terapêuticas direcionadas à microbiota e identifica lacunas de pesquisa para avançar no tratamento do câncer colorretal guiado pela microbiota”, explicam.

Relação direta

De acordo com os pesquisadores, crescem as evidências de que a microbiota intestinal não é apenas uma espectadora, mas sim uma reguladora ativa. Dessa forma, é capaz de metabolizar agentes quimioterápicos, modular a imunidade sistêmica, reprogramar o microambiente tumoral e alterar a suscetibilidade do hospedeiro aos efeitos adversos associados à terapia.

A disbiose (desequilíbrio), com redução da diversidade microbiana e aumento de grupos taxonômicos patogênicos, tem sido consistentemente associada à redução da eficácia terapêutica. “Ademais, contribui para o aumento da quimiorresistência e da toxicidade, o que indica a necessidade imperativa de integrar mais a perspectiva da microbiota à prática oncológica”, reforçam os autores.

Já a modulação terapêutica da microbiota intestinal tem se mostrado promissora como forma de aumentar a eficácia da quimioterapia sem agravar os efeitos colaterais. Estudos pré-clínicos e clínicos iniciais envolvem suplementação com prebióticos e probióticos, transplante de microbiota fecal e inibição seletiva de enzimas bacterianas. “Esses estudos indicaram resultados positivos na redução da toxicidade induzida pela quimioterapia e na melhoria das respostas ao tratamento”, sinalizam.

Um destaque é o uso de probióticos de nova geração adaptados ao ambiente oncológico. Ademais, programas nutricionais individualizados estão em ascensão como forma de otimizar a composição da microbiota intestinal para promover imunidade antitumoral e metabolismo de fármacos.

Além disso, o perfil da microbiota também se mostrou um biomarcador preditivo e prognóstico muito promissor. Assim, a identificação de assinaturas microbianas associadas à melhora da resposta terapêutica ou ao risco de toxicidade pode permitir a estratificação de pacientes e o tratamento personalizado.

Tecnologia para melhor resultado

O desenvolvimento de tecnologias multiômicas está aprimorando ainda mais a capacidade de os pesquisadores decifrarem as interações funcionais entre microbiota, hospedeiro e fármacos, assim como de identificar biomarcadores acionáveis. Em conjunto, esses resultados posicionam a microbiota intestinal não apenas como um regulador crítico para o sucesso da terapia do câncer colorretal, mas também como um alvo terapêutico.

De acordo com os autores, a incorporação de diagnósticos e terapias direcionadas à microbiota na prática oncológica de rotina tem o potencial de transformar fundamentalmente o tratamento do câncer colorretal. Dessa maneira, será inaugurada uma era de Medicina de Precisão na qual os regimes de tratamento serão baseados não apenas no perfil genético do tumor, mas também na população microbiana do indivíduo.

“Ensaios clínicos de grande escala e longo prazo serão necessários para validar essas abordagens e estabelecer protocolos padronizados para a manipulação da microbiota na terapia do câncer”, finalizam os autores. O estudo ‘Gut microbiota as a hidden modulator of chemotherapy: implications for colorectal cancer treatment foi publicado em setembro de 2025 no periódico Discover Oncology – doi: 10.1007/s12672-025-03574-0.

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