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Eixo microbiota intestinal-obesidade

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Eixo microbiota intestinal-obesidade e o câncer de mama

Escrito por: Fernanda Ortiz

O câncer de mama segue como um grande desafio global de saúde. Projeções internacionais estimam que até 2040 sejam realizados cerca de 3 milhões de diagnósticos por ano em todo o mundo. Esses números são impulsionados, principalmente, pelo cenário de crescimento populacional e pelo envelhecimento. Recentemente, um artigo de revisão identificou que alterações no eixo microbiota intestinal-obesidade também podem contribuir para o desenvolvimento e a progressão da neoplasia. Além de influenciar processos como inflamação crônica, metabolismo de estrogênios, resistência à insulina e resposta imunológica, esse eixo pode impactar o prognóstico e a eficácia de tratamentos oncológicos.

A microbiota intestinal, formada por trilhões de microrganismos que vivem no trato digestivo, desempenha papel essencial na regulação do metabolismo, no sistema imunológico e nos processos inflamatórios. De acordo com o estudo, mudanças nesse ecossistema estão frequentemente associadas à obesidade. “Alterações no eixo microbiota intestinal-obesidade podem desencadear inflamação crônica de baixo grau, desequilíbrios hormonais e alterações metabólicas que criam um ambiente favorável ao surgimento e crescimento de tumores mamários”, descrevem os autores.

Regulação do estrogênio
A microbiota intestinal também exerce papel direto na regulação dos níveis de estrogênio, que ocorre pela modulação do estroboloma (conjunto de bactérias intestinais que metaboliza e regula o estrogênio no organismo). Segundo a revisão, bactérias intestinais que produzem enzimas como a β-glucuronidase são capazes de desfazer estrogênios que foram previamente metabolizados pelo fígado.

Os autores afirmam que as alterações na composição da microbiota – disbiose –, frequentemente associadas à obesidade, podem desregular esse mecanismo levando a níveis mais elevados de estrogênio circulante. “Esse aumento é particularmente relevante no câncer de mama, especialmente nos subtipos hormônio-dependentes, nos quais o estrogênio estimula a proliferação tumoral”, observam. Além disso, a composição das bactérias intestinais pode interferir na resposta do organismo a tratamentos como quimioterapia e imunoterapia, impactando o prognóstico das pacientes.

Probióticos e prebióticos
De acordo com os autores, estratégias de modulação da microbiota intestinal – como alimentação equilibrada, uso de prebióticos/probióticos e mudanças no estilo de vida – podem representar caminhos promissores na prevenção ou no suporte terapêutico. “Os probióticos contribuem para restaurar o equilíbrio bacteriano reduzindo a inflamação, melhorando a resposta imune e impactando o metabolismo de estrogênios”, destacam. Já os prebióticos, além de auxiliarem no controle metabólico e da obesidade, estimulam o crescimento de bactérias benéficas e a produção de compostos anti-inflamatórios.

O artigo reforça, ainda, uma mudança de paradigma de que o câncer de mama não deve ser visto apenas como uma doença localizada, mas como resultado de interações complexas entre metabolismo, imunidade e microbiota. “Compreender o eixo microbiota intestinal-obesidade abre novas possibilidades para prevenção, prognóstico e tratamento, apontando para uma medicina mais personalizada e integrada”, concluem os autores. O artigo ‘The gut microbiota-obesity axis in the pathogenesis and prognosis of breast cancer’ foi publicado em julho de 2025 na revista Annals of Medicine – doi: 10.1080/07853890.2025.2611203.

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