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Comunicação intraventricular

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Comunicação interventricular afeta 30 mil crianças por ano

Escrito por: Fernanda Ortiz

A comunicação interventricular (CIV) é a cardiopatia congênita mais comum do Brasil. A condição é caracterizada por um defeito cardíaco, ou seja, uma abertura na parede muscular (septo) que separa os ventrículos direito e esquerdo do coração. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 30 mil crianças nascem com o problema todos os anos no Brasil. Destas, pouco mais de 1/3 precisa realizar uma cirurgia corretiva, ainda no primeiro ano de vida, para impedir a evolução para casos mais graves que incluem insuficiência cardíaca, infecções e risco de morte.

A CIV faz com que o sangue assuma um fluxo anormal dentro do coração. A consequência inicial é o aumento do trabalho cardíaco e a sobrecarga nos pulmões. Com o decorrer do tempo e na ausência de tratamento, o órgão pode ficar dilatado e as artérias pulmonares prejudicadas de forma definitiva. Essa patologia pode ser causada por uma combinação de fatores genéticos e ambientais que influenciam no tamanho, na localização, nas manifestações clínicas e na evolução. A comunicação interventricular é classificada de acordo com diferentes critérios, levando em consideração características do defeito, a localização anatômica e a presença de outras anomalias cardíacas associadas.

De acordo com o médico pediatra Carlos Tosiuman, do Hospital Santa Catarina – Paulista, diferentemente de outras cardiopatias, a comunicação interventricular muitas vezes é assintomática, o que dificulta sua identificação. Os sintomas podem se manifestar de forma silenciosa a grave. “Quando a doença não é identificada a tempo, existe a possibilidade de evolução para quadros de insuficiência cardíaca, hipertensão pulmonar, infecções respiratórias recorrentes, atraso no crescimento e risco de morte”, descreve. Entretanto, quando o defeito é pequeno, a abertura pode fechar espontaneamente antes dos dois anos de idade.

Atenção aos sintomas

Em muitos casos, a CIV é detectada ainda no pré-natal. Caso não seja, é importante ficar atento a certos sintomas nos bebês, como ocorrência do sopro cardíaco, dificuldade para mamar e respirar, suor excessivo e dificuldade de ganhar peso, entre outros (veja abaixo). A partir desses relatos, o diagnóstico definitivo acontece por meio do ecocardiograma. Esse exame avalia o impacto hemodinâmico, ou seja, a alteração no fluxo e na pressão do sangue dentro do coração e dos vasos.

Quando a abertura é pequena, a criança pode apresentar um sopro cardíaco exuberante, sem outras manifestações clínicas. Nestes casos, o fechamento pode ocorrer de forma espontânea por três fatores específicos: tamanho da abertura (diâmetro inferior a 3-4 mm), crianças menores de dois anos de idade e localização. “As CIVs musculares têm uma maior chance de fechamento, pois o crescimento do músculo cardíaco tem a capacidade de selar o orifício”, informa o médico. Da mesma forma, aquelas do tipo perimembranosa também podem se fechar espontaneamente, mas com menor probabilidade.

Em alguns casos, a comunicação interventricular não fecha espontaneamente, por exemplo, nos casos de defeitos subarteriais em que a localização impede o crescimento tecidual necessário para o fechamento. “Nos defeitos amplos, que permitem fluxos volumosos de sangue entre os ventrículos, o sopro é mais baixo, mas a criança apresenta sintomas como baixo ganho de peso, cansaço para mamar, sudorese profusa, extremidades frias e pele pegajosa”, descreve o especialista. As comunicações amplas que não foram tratadas de forma adequada podem gerar manifestações clínicas como cianose e falta de ar em atividades triviais. De acordo com o médico, estes são os casos mais graves e a irreversibilidade do quadro é a situação mais temerosa.Cirurgia e futuro da criança

A realização de cirurgia ou cateterismo – uma espécie de fechamento percutâneo – pode ser inevitável em alguns contextos. “O primeiro é quando a comunicação interventricular causa um desvio significativo de sangue do ventrículo esquerdo para o direito, levando a criança a ter insuficiência cardíaca e hipertensão pulmonar”, destaca o especialista. O segundo é a ausência do fechamento espontâneo nos primeiros anos de vida, mesmo que a criança seja assintomática, para evitar problemas a longo prazo. Outro cenário é quando o bebê passa por complicações como insuficiência aórtica, endocardite bacteriana, arritmias e hipertrofia ventricular.

A recuperação da cirurgia costuma ser bem-sucedida, mas alguns cuidados são necessários para o pós-operatório, envolvendo o tempo adequado de internação, monitoramento e suporte respiratório. “Depois da alta, as atividades mais tranquilas podem ser retomadas em duas a quatro semanas. O esforço físico intenso fica restrito entre seis e oito semanas”, orienta o pediatra. Na maioria das vezes, as crianças retomam à vida normal após dois ou três meses, com acompanhamento cardiológico regular. Após a melhora completa pode levar uma vida normal, a partir da avaliação do cardiologista.Atenção aos sintomas

  • Ocorrência do sopro cardíaco, detectado durante a ausculta pelo pediatra.
  • Dificuldade do bebê para mamar e respirar.
  • Suor excessivo ao chorar ou se alimentar.
  • Dificuldade de ganhar peso.
  • Respiração acelerada.
  • Bronquiolites frequentes.

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