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Cuidado com as lagartas

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Riscos dos acidentes por contato com lagartas em crianças

Escrito por: Elessandra Asevedo

Nas atividades ao ar livre, é fundamental ter muito cuidado com as lagartas que ficam entre troncos e folhas. Especialistas alertam que o contato com as cerdas pontiagudas desses insetos faz com que o veneno contido seja injetado na pele. Esse contato pode ocasionar acidentes graves, principalmente com crianças.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil registrou mais de 26 mil acidentes com lagartas entre 2019 e 2023. O levantamento mostrou que uma em cada cinco vítimas tinha até 9 anos de idade. A médica dermatologista pediátrica Flavia Prevedello, do Hospital Pequeno Príncipe, afirma que as crianças apresentam maior risco por terem um sistema imune mais frágil e perigo de sangramento grave. “Além disso, as crianças têm dificuldade em relatar os sintomas de maneira precoce, por isso, é importante alertá-las a ter muito cuidado com as lagartas”, explica.

Na maioria das ocorrências, o quadro evolui de forma favorável, sem complicações. No entanto, algumas espécies representam risco grave à saúde. Em geral, os acidentes envolvem lagartas no estágio larval dos lepidópteros, divididos em duas famílias principais. Um deles são as lagartas cabeludas da família Megalopygidae, que possuem pelos longos e sedosos que escondem cerdas urticantes. Já as lagartas espinhudas, da família Saturniidae, contêm espinhos ramificados semelhantes a pequenos pinheiros e incluem o gênero Lonomia, responsável por acidentes hemorrágicos.

As lagartas do gênero Lonomia são as que apresentam maior relevância para a saúde pública. O veneno presente nas cerdas pode provocar alterações na coagulação do sangue, levando a hemorragias graves, manchas roxas pelo corpo, sangramentos na gengiva e presença de sangue na urina. Em casos mais severos, o envenenamento pode causar insuficiência renal aguda e até levar à morte se não houver atendimento rápido.

Atendimento médico

O soro antilonômico é o único tratamento capaz de neutralizar os efeitos moderados e graves do veneno da Lonomia. O medicamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 1996. O Brasil é o único país do mundo produtor do soro, desenvolvido pelo Instituto Butantan.

A médica alerta que há uma piora progressiva nas primeiras seis a 12 horas após o contato com a Lonomia. Por isso, a urgência em procurar atendimento médico é fundamental. “Não se deve esfregar o local ou aplicar qualquer substância na área da picada”, recomenda. Além disso, não usar álcool nem vinagre, não fazer torniquete, não realizar sucção ou incisões e não administrar anti-inflamatórios nem aspirina devido ao risco de sangramento, caso se trate de um acidente de Lonomia.

Cuidado com as lagartas

O aumento dos casos está associado a fatores como desmatamento, queimadas e desequilíbrio ambiental, que aproximam esses animais das áreas urbanas. Para reduzir o risco, observe troncos, folhas e galhos antes de tocá-los, não toque em lagartas, mesmo mortas, pois as toxinas permanecem nas cerdas, e use luvas ao manusear vegetação. Além disso, é indicado evitar as áreas de risco de surtos de lagartas e redobrar a atenção em parques, quintais e áreas arborizadas.

Como identificar o acidente com lagarta

Em cerca de 70% dos casos de erucismo (reação provocada pelo contato da pele com as cerdas das lagartas), as mãos e os braços são as áreas mais atingidas. Os sinais aparecem logo após o contato:

  • Dor intensa
  • Ardência/queimação
  • Vermelhidão e inchaço
  • Lesões tipo urticária

O que fazer em caso de acidente

  • Lave o local com água e sabão
  • Coloque uma compressa fria sobre o local para aliviar a dor
  • Procure imediatamente uma unidade de pronto atendimento
  • Fotografe ou informe ao profissional de saúde o máximo possível de características, como tipo, cor e tamanho da lagarta
  • Em caso de emergência, entre em contato com o SAMU (192).
  • O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) dispõe de médicos e enfermeiros que prestam orientações em casos de acidentes com animais peçonhentos e outras intoxicações, por meio do telefone 0800 644 6774

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