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Saúde cardiovascular

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Fatores ambientais podem afetar a saúde do coração

Escrito por: Fernanda Ortiz

Poluição sonora e do ar, clima extremo, estresse crônico e contaminantes. Presentes na rotina da população dos grandes centros urbanos, esses fatores ambientais prejudicam a saúde cardiovascular. Do ponto de vista biológico, criam um ambiente hostil para o sistema cardíaco e, em longo prazo, podem aumentar o estresse oxidativo, a inflamação, a pressão arterial e, consequentemente, o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca. A redução da exposição a esses poluentes é, portanto, uma estratégia eficaz para diminuir a carga de doenças cardiovasculares.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) corroboram que ambiente e estilo de vida têm impacto superior à predisposição genética. Quando se trata de doenças cardiovasculares, apenas 20% a 30% são provenientes de riscos não modificáveis, ou seja, 70% têm como causa agentes externos. “A exposição contínua a fatores ambientais nocivos gera um impacto considerável, que demandam avaliação e tratamento, inclusive de forma preventiva, antes de surgirem sinais e sintomas de doenças associadas”, observa o médico cardiologista e arritmologista Nilton Carneiro, do Centro de Cardiologia do Hospital Santa Catarina – Paulista (SP).

Poluição do ar
Classificado como nível moderado pelos órgãos de monitoramento, o índice de poluição do ar em São Paulo, por exemplo, já é suficiente para elevar os riscos de problemas cardiológicos. Uma das causas é a concentração de um tipo de poeira extremamente fina presente no ar: um material particulado fino (PM2.5) que, em medições recentes, aparece em valor superior ao recomendado pela OMS.

“Nocivo à saúde, o PM2.5 consegue penetrar nos pulmões e chegar à corrente sanguínea, gerando resposta inflamatória e estresse oxidativo, o que acelera o envelhecimento e aumenta a possibilidade de doenças”, comenta o médico. Tais alterações afetam os vasos sanguíneos e deixam o sangue mais propenso a formar coágulos. Como consequência, aumenta o risco de infarto agudo do miocárdio, AVC e arritmias, mesmo em pessoas sem histórico de doenças cardiovasculares.

Poluição sonora e clima
A poluição sonora eleva os hormônios do estresse que, quando crônico, produz aumento dos níveis de cortisol e pressão arterial. De acordo com o médico, a exposição crônica ao ruído faz o corpo ativar seu sistema de alerta, o que o mantém em estado de tensão por causa da desregulação da produção de cortisol e adrenalina. Isso pode resultar em aumento da pressão arterial, alteração do fluxo sanguíneo, estresse oxidativo e inflamação, ampliando o risco de infarto e AVC”, destaca. Nesse caso, apenas a ação de políticas públicas que reduzam ruído urbano e de tráfego são eficientes para reduzir esse fator de risco.

Mudanças extremas do clima também afetam o coração. As ondas de calor, por exemplo, impõem estresse térmico ao corpo e podem causar desidratação, aumento da viscosidade do sangue e sobrecarga cardíaca. Dessa forma, eleva as possibilidades de infarto, arritmias e AVC. O médico aponta que idosos, pessoas com insuficiência cardíaca e doença arterial coronariana, hipertensos e usuários de certos medicamentos (como diuréticos) são mais vulneráveis.

Contaminantes
Metais pesados, como chumbo e arsênio – assim como os compostos industriais – acarretam danos ao sistema cardiovascular, entre eles a aterosclerose acelerada (entupimento das artérias). Mesmo em baixas doses, a exposição contínua e o acúmulo no organismo são preocupantes. Segundo o especialista, algumas das consequências são hipertensão e maior risco para arritmias e insuficiência cardíaca.

Prevenção
Diminua a exposição à poluição: evite atividades físicas próximas a vias movimentadas, use purificadores de ar em ambientes fechados e tenha atenção aos índices de qualidade do ar.
Gerencie o estresse: pratique técnicas de atenção plena, respiração e meditação e busque parques e áreas verdes com frequência para reduzir o cortisol.
Hidrate-se e fique atento no calor extremo: reforce a ingestão de líquidos durante ondas de calor e evite exercícios exaustivos nos horários mais quentes.
Cuidado com a água: considere o uso de filtros de qualidade para reduzir a exposição a contaminantes como chumbo e arsênio.
Proteja sua audição: use protetores auriculares quando necessário, isole ambientes contra ruídos, se possível, priorize áreas silenciosas e incorpore ‘pausas acústicas’ na rotina.

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