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Toxicidade silenciosa

• Nutrição

Excesso de vitaminas pode ser prejudicial à saúde

Escrito por: Fernanda Ortiz

 

Nos últimos anos, a suplementação de vitaminas ganhou o status de moda no Brasil. Influenciadores digitais, academias e até clínicas de estética oferecem complexos vitamínicos em cápsulas, injeções e até soros venosos, muitas vezes sem indicação adequada. O tema é preocupante, pois vitaminas consumidas em excesso provocam uma toxicidade silenciosa conhecida como hipervitaminose. Além de sintomas comuns como dor de cabeça, enjoo, vômitos, desidratação e queda de cabelo, a condição pode levar a efeitos graves. Entre eles estão danos aos órgãos (rins, fígado), problemas ósseos, distúrbios neurológicos (confusão, convulsões) e problemas cardíacos (arritmias).

De acordo com a médica endocrinologista Luciana Corrêa, da Afya Educação Médica Brasília, a maioria das vitaminas necessárias ao corpo pode ser obtida por meio de uma alimentação equilibrada, rica em frutas, vegetais, cereais integrais, ovos e carnes. “O correto é que os suplementos sejam indicados apenas em casos específicos de deficiência nutricional diagnosticada. Entretanto, tem se tornado comum a ingestão de vitaminas – inclusive por via intramuscular e venosa – em doses não recomendadas por um especialista em saúde”, alerta. Isso aumenta muito o risco de intoxicação, especialmente no caso das vitaminas lipossolúveis A, D, E e K, que ficam armazenadas no corpo.

Sintomas variáveis

As consequências do excesso variam conforme a vitamina envolvida. “A intoxicação por vitamina A, por exemplo, pode gerar dores de cabeça, pele seca, fadiga e até danos ao fígado”, descreve a médica. Doses elevadas de vitamina E favorecem hemorragias, sobretudo em pessoas que usam anticoagulantes, enquanto o excesso de vitamina K pode aumentar o risco de trombose. Já a intoxicação por vitamina D é a mais comum, podendo causar cálculos, insuficiência renal e, em casos extremos, necessidade de hemodiálise.

O médico gastroenterologista Raphael Gomes, professor do Centro Universitário Afya Itaperuna, reforça que a hipervitaminose pode ser aguda (quando ocorre logo após doses muito altas) ou crônica (resultado do uso prolongado de suplementos). Os sintomas vão desde náuseas, vômitos e dor abdominal até alterações neurológicas como tontura e irritabilidade. “Além disso, podem ocorrer manifestações cutâneas, queda de cabelo, dor óssea e alterações visuais”, detalha. O diagnóstico deve incluir história clínica, presença de sintomas, exames de dosagem de vitaminas e laboratoriais complementares, como cálcio, função renal e enzimas hepática.

Nos casos graves de hipervitaminose podem ocorrer, a depender da vitamina, problemas renais e hepáticos, alterações cardíacas como arritmias, danos neurológicos e risco de sangramentos. A intoxicação pode levar a danos ósseos, confusão mental, cálculos renais e complicações graves como insuficiência renal e cerebral. “Em gestantes, o excesso de vitaminas A e D pode causar malformações fetais severas”, alerta a médica Luciana Corrêa.

Lipossolúveis e hidrossolúveis

Embora as vitaminas lipossolúveis ofereçam maior risco de toxicidade silenciosa por ficarem armazenadas no fígado e no tecido adiposo, até mesmo as hidrossolúveis, como vitamina C e B6, podem causar problemas em doses muito altas. “Muitas pessoas acreditam que vitamina não faz mal, mas isso não é verdade. Em excesso, até as hidrossolúveis podem gerar efeitos adversos como diarreia, cálculos renais e neuropatia”, explica a nutróloga Marcela Rages, da Afya Educação Médica Goiânia. A única forma segura de saber se há necessidade de suplementação é com avaliação médica e exames.

Prescrição médica é a chave

Ainda que ofereça riscos para qualquer pessoa, grupos mais vulneráveis como gestantes, idosos e pessoas com doenças renais ou hepáticas merecem atenção especial. Portanto, especialmente nesses grupos, a suplementação só deve ser feita sob acompanhamento profissional e dentro das doses recomendadas. Em casos de toxicidade, a conduta envolve suspender o suplemento, tratar os sintomas e adotar monitoramento periódico para evitar recorrências

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