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Biomarcadores microbianos no intestino

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Biomarcadores microbianos no câncer de tireoide

Escrito por: Fernanda Ortiz

Recentemente, um estudo conduzido por pesquisadores chineses identificou biomarcadores microbianos no intestino associados ao câncer de tireoide. Mais do que aprofundar a compreensão das características do microbioma da neoplasia, a pesquisa analisou a heterogeneidade dos biomarcadores entre homens e mulheres e sua relação com variáveis ​​clínicas. Os achados apontam que determinadas bactérias, além de estarem relacionadas ao desenvolvimento da doença, podem servir como potenciais ferramentas diagnósticas não invasivas, abrindo caminho para abordagens mais precisas e personalizadas futuramente.

Com base nos resultados histopatológicos, o estudo transversal unicêntrico contou com 86 pacientes – 60 mulheres e 26 homens com diagnóstico de câncer de tireoide – , recrutados no Hospital West China. O grupo controle foi formado por 182 indivíduos saudáveis. Os dois grupos apresentaram distribuição semelhante em relação a sexo e idade (entre 30 e 50 anos). “Nosso objetivo foi identificar quais microrganismos diferem entre pacientes e grupo controle, se existem diferenças específicas entre homens e mulheres e se esses microrganismos podem prever à presença da doença”, explicam os autores. O estudo é o primeiro a identificar marcadores microbianos específicos associados ao câncer de tireoide em uma população do sudoeste da China.

Resultados

Entre os achados, os pesquisadores encontraram alterações gerais no microbioma. “Os pacientes com câncer de tireoide apresentaram diversidade distinta de bactérias intestinais em comparação com pessoas saudáveis.  Portanto, sugerindo um padrão associado à doença”, observam. Especificamente nos pacientes com câncer, as bactérias anaeróbicas Blautia e Alistipes foram encontradas em abundância, independentemente do sexo. 

Embora algumas bactérias fossem comuns, apenas 25% dos microrganismos dominantes eram compartilhados entre mulheres e homens com a neoplasia. Os autores comentam, ainda, que mulheres com câncer de tireoide mostraram enriquecimento das bactérias Schaalia, Moraxella e Alicyclobacillus. Enquanto isso, os homens apresentaram abundância nas bactérias Holdemanella, Clostridium sensu stricto e Senegalimassilia. “Tais diferenças podem estar ligadas a fatores hormonais, respostas imunes e metabolismo que variam de acordo com o sexo”, consideram. Notavelmente, a Catenibacterium – gênero de bactérias Gram-positivas e anaeróbias estritas – distinguiu efetivamente pacientes com câncer de tireoide dos controles saudáveis, com diferença consistente entre homens e mulheres.

Por ser um estudo transversal unicêntrico, a capacidade de investigar mudanças temporais na microbiota e alterações que podem ocorrer após o desenvolvimento do câncer foi limitada. Portanto, investigações multicêntricas e longitudinais com maior amostra são necessárias para avaliar outras variáveis. Entre os exemplos estão a utilização do sistema de saúde, os padrões alimentares e as condições socioeconômicas, fatores que podem influenciar a microbiota intestinal. O artigo ‘Microbial biomarkers and sex-associated gut microbiota characteristics of thyroid cancerfoi publicado em novembro de 2025 na Springer Nature – doi: doi.org/10.1186/s12885-025-14986-0.

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