A temporada de doenças respiratórias chegou antes mesmo do inverno deste ano e acendeu um sinal de alerta para as famílias. Dados do boletim InfoGripe da Fiocruz já apontavam, em abril, o aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em diversas regiões do País, antecipando um cenário que costuma se intensificar com a queda das temperaturas. As crianças estão entre os grupos mais vulneráveis por apresentarem maior risco de evolução para quadros graves.
De acordo com a pediatra Isabela Pires, professora da pós-graduação em Pediatria da Afya Centro Universitário Brasília, essa vulnerabilidade está relacionada tanto ao desenvolvimento do sistema imunológico quanto ao convívio intenso em escolas e creches. “As crianças costumam passar longos períodos em contato umas com as outras, muitas vezes em salas com pouca circulação de ar. Esse ambiente favorece a transmissão dos vírus, especialmente entre aquelas com a imunidade mais baixa”, explica.
Na infância, sintomas iniciais de doenças respiratórias podem evoluir rapidamente. “Coriza, tosse leve e cansaço podem se agravar em apenas 12 a 24 horas, fazendo com que um tratamento em casa dê lugar à necessidade de internação e monitoramento hospitalar”, afirma. Por isso, sinais como febre persistente, dificuldade para respirar, chiado no peito, sonolência excessiva e recusa alimentar exigem avaliação médica imediata. A recomendação é ainda mais importante para crianças menores ou com histórico de alergias e doenças respiratórias.
Clima favorece circulação de vírus
Para o otorrinolaringologista Alexandre Martins, professor e preceptor na Afya Itaperuna – Rio de Janeiro,
o clima frio e seco favorece tanto a permanência dos vírus no ambiente quanto sua disseminação. “No frio e na baixa umidade, os vírus sobrevivem por mais tempo no ar e se espalham com mais facilidade. As partículas virais permanecem suspensas por períodos mais prolongados, aumentando o risco de contágio, principalmente entre as crianças", acentua.
Além disso, as condições climáticas comprometem os mecanismos naturais de defesa do organismo. O médico explica que o ar frio e seco resseca a mucosa do nariz e da garganta, que funciona como a primeira barreira de proteção do corpo. “Com essa barreira comprometida, os vírus conseguem entrar com mais facilidade", reforça. Em ambientes fechados e com pouca ventilação, o risco de transmissão é ainda maior. Portanto, a prevenção continua sendo a principal aliada para reduzir o risco de doenças respiratórias e evitar complicações.
Cuidados
● Mantenha a vacinação em dia, incluindo a vacina contra a gripe – quando indicada – para reduzir o risco de infecções virais e bacterianas e suas complicações.
● Incentive a hidratação, oferecendo água ao longo do dia mesmo quando a criança não manifesta sede.
● Reforce a higiene das mãos, principalmente após brincar, tossir, espirrar ou antes das refeições.
● Mantenha os ambientes ventilados, abrindo as janelas diariamente, mesmo nos dias frios.
● Evite locais fechados e com pouca circulação de ar.
● Faça a higiene nasal com soro fisiológico para ajudar a manter as vias respiratórias limpas e hidratadas.
● Evite a exposição ao cigarro e ofereça uma alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes e outros alimentos. Essas opções contribuem para o bom funcionamento do sistema imunológico.
● Mantenha as consultas regulares com o pediatra, que são importantes para acompanhar o desenvolvimento da criança e avaliar a necessidade de vitaminas ou outras medidas preventivas.
● Procure atendimento médico imediatamente diante de sinais de alerta como febre alta persistente, chiado no peito, dor de ouvido, dificuldade para respirar, cansaço excessivo, prostração ou recusa alimentar.

