A especialização precoce em esportes está ligada a cerca de 4,5 milhões de lesões anuais em crianças e jovens. O treinamento intensivo pode ser responsável, ainda, por problemas como sobrecarga muscular, limitação no desenvolvimento motor e síndrome de Burnout.
Os dados são do estudo norte-americano ‘Early sports specialisation and the incidence of lower extremity injuries in youth athletes: current concepts’, publicado em 2021. Essa especialização precoce é descrita pela American Orthopaedic Society for Sports Medicine como o compromisso com um único esporte por oito meses ou mais por ano, em detrimento da prática de outros esportes antes dos 12 anos de idade.
O ortopedista Adriano Marques de Almeida, presidente da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte (SBRATE), alerta que a especialização em um único esporte de alta intensidade pode introduzir padrões de movimentos repetitivos. Além disso, o treinamento intensivo tende a limitar habilidades neuromusculares fundamentais que dificultam o desenvolvimento do atleta em longo prazo e aumentam as chances de lesão por sobrecarga.
“Atletas que treinam dessa maneira colocam mais estresse em grupamentos musculares e ligamentos seletos que o esporte demanda, enquanto diminuem o desenvolvimento de outros padrões de movimentação que a prática multiesportiva proporciona”, explica. Ademais, estudos sugerem que atletas que se especializam cedo são duas vezes mais suscetíveis a apresentarem lesões do que aqueles que não se especializaram em um único esporte.
Proteção
A Associação Americana de Ortopedia criou a campanha The OneSportTM Injury com o objetivo de conscientizar os pais e responsáveis sobre os riscos de lesões por sobrecarga na especialização precoce e sobre práticas seguras para evitar problemas. “Considera-se que a especialização esportiva precoce proporciona mínimos benefícios e inúmeras desvantagens, sendo desnecessária para o sucesso do atleta e perigosa para saúde física e mental”, salienta o presidente da SBRATE.
O alerta de que não se trata de ir contra a prática de esportes na infância, mas contra a pressa e o treinamento intensivo. “Em vez de acelerar carreiras ainda em formação, o caminho deve ser mais amplo, valorizando o desenvolvimento global do jovem atleta para reduzir riscos de lesões que podem comprometer o desempenho e a saúde em longo prazo”, conclui o médico.

