Com mudanças bruscas de temperatura cada vez mais frequentes, muitas pessoas relatam o surgimento da dor de cabeça, um desconforto que é quase imediato. Para alguns, basta a chegada de uma frente fria, um aumento repentino do calor ou até a previsão de chuva para o incômodo aparecer. Essa relação entre clima e cefaleia é real e mais comum do que se imagina.
De acordo com o neurocirurgião Otávio Turolo, o organismo sente os efeitos das mudanças climáticas de forma intensa. E isso ocorre especialmente nas pessoas que já possuem predisposição para crises de cefaleia ou enxaqueca. “Nosso corpo adora rotina. Quando o tempo vira de repente, esfria muito ou esquenta rápido, o organismo precisa trabalhar dobrado para se adaptar”, explica o médico do Hospital Evangélico de Sorocaba (HES). Dessa forma, para quem já tem tendência à dor de cabeça, essa mudança brusca funciona como um gatilho.
A dor é real
Embora muitas pessoas ainda tratem o assunto como exagero ou superstição, a Medicina já reconhece a influência do clima nas dores de cabeça. “Existe até quem tenha vergonha de dizer que sente dor porque vai chover, como se fosse uma crença popular. Mas isso tem explicação biológica”, reforça o médico.
Entre os fatores climáticos que mais influenciam na dor de cabeça estão as variações de temperatura, pressão atmosférica e umidade do ar. O choque térmico é um dos principais vilões da rotina moderna. “Sair de um ambiente com ar-condicionado gelado direto para o calor intenso da rua pode ativar a dor rapidamente”, sinaliza o especialista.
Do ponto de vista neurológico, a sensibilidade ao clima acontece porque as mudanças ambientais irritam as estruturas nervosas da face e da cabeça. Além disso, alteram substâncias químicas do cérebro responsáveis pela proteção contra a dor. Portanto, quando esse equilíbrio é afetado a cefaleia aparece com mais facilidade.
“As mulheres e pessoas que sofrem de enxaqueca crônica costumam estar entre os grupos mais vulneráveis às oscilações climáticas”, aponta o médico. Isso ocorre porque já possuem um sistema neurológico naturalmente mais sensível, além de sofrerem influências hormonais que podem potencializar as crises.
Como prevenir
Apesar de, na maioria das vezes, a dor desaparecer espontaneamente, alguns sinais exigem atenção imediata. De acordo com o neurocirurgião Otávio Turolo, se a dor surgir de forma explosiva, for a pior já sentida na vida ou vier acompanhada de febre é fundamental procurar atendimento médico rapidamente.
Para quem já identificou o clima como gatilho, algumas medidas preventivas podem ajudar a reduzir as crises. Assim, hidratação adequada, sono regulado e alimentação equilibrada fazem diferença, principalmente em dias de mudanças bruscas no tempo. “Se a previsão indica uma virada climática, o ideal é evitar sobrecarregar o corpo. Pequenos cuidados podem impedir que a dor apareça ou diminuir bastante a intensidade”, finaliza o médico.

