Um estudo desenvolvido por pesquisadores do Instituto Central Yakult teve como objetivo elucidar o papel do LCPS-1 – um polissacarídeo bacteriano da parede celular (CWPS) – na viabilidade e sobrevivência da cepa Lacticaseibacillus paracasei Shirota (anteriormente conhecida como Lactobacillus casei Shirota – LcS). De acordo com os cientistas, as paredes celulares das bactérias do ácido lático têm sido objeto de muitas pesquisas, devido à sua importância nos processos de fermentação do leite.
“As paredes celulares atuam como receptores para bacteriófagos, o que pode afetar negativamente a produção de alimentos e as propriedades organolépticas”, detalham os cientistas. Os exopolissacarídeos, que estão vagamente associados às células bacterianas do ácido lático, foram amplamente investigados por suas funções na adição de propriedades texturais ao leite fermentado.
Por outro lado, os polissacarídeos da parede celular, que estão ligados às paredes celulares bacterianas do ácido lático, foram estudados por sua diversidade genética e estrutural. Isso inclui seus papéis na divisão e morfologia celular, adesão às superfícies e formação de biofilme, proteção contra fagocitose e como receptores para bacteriófagos.
O Lacticaseibacillus paracasei Shirota é uma cepa probiótica usada em bebidas lácteas fermentadas. Estudos anteriores mostram que a cepa modula a função imunológica, melhora a frequência de evacuações e reduz a taxa de morbidade em doenças infecciosas. “O LCPS-1 é um dos principais componentes que distingue o LcS de outras cepas da espécie”, explicam os cientistas.
A viabilidade e a capacidade de sobrevivência das bactérias probióticas são cruciais para a eficácia dos alimentos probióticos. Resumidamente, os probióticos enfrentam condições estressantes, como baixo pH durante a produção de leite fermentado e exposição ao ácido gástrico. Além disso, há interações com a bile durante a passagem pelo trato gastrointestinal. “Sob essas condições, alguns estudos mostram que o LcS sobrevive à passagem pelo trato gastrointestinal de diversas populações”, acentuam os autores.
O estudo
Para o experimento, o LcS foi usado como a cepa do tipo selvagem. Para comparar, uma cepa mutante completamente desprovida de LCPS-1 foi construída e avaliada quanto ao crescimento no leite bovino e de soja, assim como na suscetibilidade ao ácido gástrico e à bile. O crescimento do mutante no leite bovino e de soja parou temporariamente após a fase logarítmica tardia. Enquanto isso, o LcS do tipo selvagem continuou a crescer, resultando em um número significativamente menor de células viáveis para a cepa mutante.
“Esses resultados indicam que o LCPS-1 leva a um maior crescimento de LcS no leite e melhora a tolerância ao ácido e à bile”, relatam os autores. O resultado revela a contribuição do LCPS-1 para a tolerância ao estresse ácido e gastrointestinal. Com base nessas descobertas, os cientistas acreditam que caracterizar e modificar o CWPS em cepas probióticas pode aumentar os rendimentos da fabricação e melhorar a tolerância ao estresse gastrointestinal após o consumo.
Assim, seria possível avançar, em última análise, para o desenvolvimento de probióticos mais eficazes. O artigo ‘Cell wall polysaccharide enhances Lacticaseibacillus paracasei strain Shirota growth in milk and contributes to acid and bile tolerance’ foi publicado em 2024 no International Journal of Food Microbiology – doi: 0.1016/j.ijfoodmicro.2024.110811.

