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Diarreia associada a antibióticos

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Probióticos no controle da diarreia por antibioticoterapia

Escrito por: Adenilde Bringel

A diarreia associada a antibióticos (DAA) é uma das manifestações mais frequentes da disbiose induzida por antibióticos, com incidência entre 5% e 70% dos pacientes tratados com esses medicamentos. Entretanto, estudos têm mostrado que o uso de certos probióticos pode ser útil na prevenção deste problema, contribuindo para reduzir a incidência e a duração da DAA. Para investigar as hipóteses, cientistas espanhóis desenvolveram uma revisão científica que apresenta um resumo das evidências disponíveis de eficácia e segurança dos probióticos em DAA.

Além disso, os pesquisadores apresentam um algoritmo de uso de probióticos em diarreia associada a antibióticos destinado a facilitar a tomada de decisões por médicos de atenção primária e pediatras. Neste algoritmo, são integrados fatores como o antibiótico prescrito, as características do paciente, a cepa probiótica e a dosagem. Para este desenvolvimento foi constituído um comitê científico formado  por um especialista em Gastroenterologia, quatro especialistas em Medicina de Família e dois especialistas em Pediatria.

De acordo com os autores, a revisão publicada em 2023 pela Organização Mundial de Gastroenterologia (WGO, na sigla em inglês) foi tomada como ponto de partida. “A partir disso, foi realizada uma busca por artigos posteriores à data de publicação do referido guia com base em alguns parâmetros”, detalham. Além disso, foi realizada uma busca ascendente em artigos de interesse e guias sobre o uso de probióticos em diarreia associada a antibióticos, e incorporada a bibliografia fornecida por cada membro do comitê de especialistas.

Estratificação

“A estratificação do risco do antibiótico é uma proposta dos especialistas diante da falta de evidências nesse sentido”, acentuam. Além disso, o algoritmo refere-se apenas a tratamentos agudos com antibióticos, uma vez que, de acordo com os autores, não há evidências científicas disponíveis sobre o impacto do uso de probióticos em pacientes em tratamento com antibióticos em períodos de tempo superiores a quatro semanas. Junto ao algoritmo está incluída a dose recomendada para diferentes cepas, tanto para a população adulta quanto para a população pediátrica (menor de 18 anos).

A dosagem foi estabelecida com base nas recomendações da WGO para a população adulta e da European Society for Paediatric Gastroenterology Hepatology and Nutrition (ESPGHAN) para a população pediátrica. “As diferentes fontes consultadas concordam que o tratamento com probióticos deve ser iniciado o mais rápido possível. No entanto, não há consenso sobre qual é a duração mais adequada do tratamento, embora geralmente se aceite que deve ser prolongado entre 7 e 14 dias após o término do tratamento com antibióticos”, sinalizam os autores. Uma orientação importante é que, no caso dos probióticos de origem bacteriana, recomenda-se espaçar a ingestão em relação ao antibiótico pelo menos duas horas por possível sensibilidade do probiótico ao antibiótico.

Disbiose induzida por antibióticos

Estimativas sugerem que os antibióticos de amplo espectro podem reduzir a abundância e diversidade da microbiota em até 30%. Além disso, os antibióticos modificam a expressão gênica e a atividade metabólica do microbioma. “A eliminação de bactérias comensais que competem por nutrientes e locais de adesão no intestino favorece o crescimento excessivo de bactérias resistentes a antibióticos e patógenos oportunistas”, afirmam os autores.

O sistema imunológico também pode ser afetado como consequência de alterações da permeabilidade da parede intestinal e modificações na exposição a microrganismos. Com isso, acaba ocorrendo uma alteração na relação de simbiose entre hospedeiro e microbioma. “Além disso, a disbiose intestinal induzida pelo tratamento com antibióticos pode levar à infecção por C. difficile, que pode evoluir de diarreia aquosa leve para colite pseudomembranosa ou, em casos raros, para megacólon tóxico”, alertam.

Segundo os autores, a infecção por este patógeno é responsável por quase um terço dos casos de diarreia associada a antibióticos. Os efeitos de longo prazo da disbiose incluem um risco aumentado de desenvolver doenças metabólicas, imunológicas e neuropsiquiátricas não transmissíveis, especialmente quando a exposição a antibióticos ocorre em idades precoces.

Conclusões

Em resumo, o estudo afirma que o uso de probióticos demonstrou ser uma estratégia segura e eficaz para prevenir a diarreia associada a antibióticos, tanto na população pediátrica quanto na população adulta. “O algoritmo proposto e os critérios de seleção desenvolvidos neste artigo visam facilitar a tomada de decisões para os profissionais de saúde e mitigar o impacto da antibioticoterapia na saúde dos pacientes”, acentuam.

Para os autores, a validação deste algoritmo em estudos futuros permitirá confirmar sua aplicabilidade e utilidade na prática clínica de atenção primária. O artigo ‘Clinical algorithm for the use of probiotics in the prevention of antibiotic-associated diarrhea in adult and pediatric populations’ foi publicado em 2026 no periódico Medicina de Familia. SEMERGEN – doi: 10.1016/j.semerg.2026.102800.

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