A colangite biliar primária é uma doença autoimune crônica do fígado na qual o sistema imunológico ataca lentamente os pequenos ductos biliares dentro do órgão. Esses ductos são responsáveis por transportar a bile, substância importante para a digestão de gorduras e eliminação de toxinas. Quando são danificados, a bile se acumula no fígado causando inflamação e, com o tempo, podendo levar à fibrose e cirrose hepática.
A enfermidade era chamada antigamente de cirrose biliar primária, mas o nome foi alterado porque a cirrose ocorre apenas nos estágios mais avançados. “O diagnóstico precoce e o cuidado adequado são fundamentais para evitar complicações mais graves, como a cirrose, ou necessidade de transplante de fígado”, explica a médica hepatologista Débora Terrabuio.
A colangite biliar primária atinge cerca de 1,7 a cada 100 mil pessoas no mundo por ano, sendo mais frequente em mulheres. De acordo com a especialista, a causa da doença não é exata, mas há uma combinação de fatores genéticos, etários e ambientais que podem estar associados. “Por exemplo, a exposição a certas substâncias químicas como tabaco, esmaltes e tintura de cabelo, infecções principalmente de trato urinário e alterações na microbiota intestinal”, reforça.
Sintomas comuns
Entre os sintomas da doença estão a fadiga intensa, coceira na pele, olhos e boca secos, dor ou desconforto no lado direito do abdome. Em fases mais avançadas também surge a icterícia, caracterizada pela coloração amarelada de pele, mucosas e da parte branca dos olhos. A fadiga é um dos sintomas mais debilitantes, afetando até 80% dos pacientes. Segundo a médica, um fator marcante da fadiga é o seu caráter persistente, intenso e sem causa aparente.
“Diferentemente do cansaço normal, a fadiga não melhora com descanso ou mudanças simples de rotina”, acentua. Portanto, quando acompanhada de alterações em exames do fígado, coceira, olhos e boca secos ou histórico de doenças autoimunes, deve-se levantar a suspeita de problema hepático e motivar investigação médica. Embora a colangite biliar primária não tenha cura, existem tratamentos que permitem maior controle da doença e melhora da qualidade de vida do paciente.

