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Sintomas gastrointestinais são comuns

Escrito por: Adenilde Bringel

A médica Marcela Duarte de Sillos lembra que, na maioria dos casos, os sintomas gastrointestinais aparecem até antes dos sintomas respiratórios em pacientes com fibrose cística. Outra manifestação frequente é a constipação intestinal. Embora não seja exclusiva da fibrose cística, essa condição contribui para piorar a qualidade de vida dos pacientes, porque aumenta a frequência de dor abdominal e distensão abdominal. Além disso, há pacientes com dificuldade de esvaziamento do estômago, com lentificação do intestino delgado e lentificação do trânsito colônico – que foi o objeto de um estudo desenvolvido pela gastropediatra em 2021 (leia mais no texto Experimento avalia o trânsito colônico total de pacientes). “Acredita-se que a fisiopatologia da constipação intestinal na fibrose cística seja multifatorial. A impactação de fezes e muco no cólon e os distúrbios de motilidade do trato gastrointestinal são os principais mecanismos envolvidos”, detalha.

A presença de maior teor de gordura nas fezes que chegam ao íleo terminal resulta em retardo de esvaziamento gástrico e desaceleração do trânsito intestinal, o que também poderia contribuir para o desenvolvimento da constipação intestinal na fibrose cística. “Existe uma complicação da fibrose cística chamada síndrome da obstrução intestinal distal, que só ocorre nesta doença e pode ser explicada por esse acúmulo de muco e de fezes na região ileocecal. Especula-se que um paciente com fibrose cística e dismotilidade tem maior chance de evoluir com uma obstrução bem importante, às vezes necessitando de intervenção cirúrgica”, afirma a médica.

Pacientes com fibrose cística também têm maior chance de desenvolver desnutrição por vários motivos: a presença da insuficiência pancreática, que pode ser tratada com a reposição de enzimas pancreáticas; a dificuldade de ingerir a quantidade de energia necessária para crescer e se desenvolver – seja por falta de apetite ou pela ocorrência de vômitos; e as infecções respiratórias de repetição, que acentuam a falta de apetite, entre outros fatores. “Às vezes, a criança nem está doente, mas, quando come, não se sente muito bem e para de comer porque está enjoada, porque se sente empachada. Isso também é um motivo para não ganhar peso. Por isso, são considerados pacientes que necessitam de muito mais calorias do que outras crianças”, reforça a médica. Considera-se que alguns pacientes precisam de 20% a 30% a mais de calorias quando comparado a crianças da mesma idade, mas há algumas que podem precisar de 50% a 100% a mais. A nutricionista Lenycia Neri acrescenta que, em alguns casos, prescreve um milk-shake de 1.500 calorias para um lanche da tarde, a fim de ajudar o alcance das necessidades de um paciente com fibrose cística.

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