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Adoçantes artificiais

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Adoçantes e o risco de declínio cognitivo

Escrito por: Elessandra Asevedo

Os adoçantes artificiais fazem parte da rotina de milhões de pessoas porque adoçam sem acrescentar calorias à dieta. Assim, o uso moderado é aprovado por órgãos reguladores como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). No entanto, o consumo de adoçantes tem sido associado a efeitos adversos à saúde, mas pouco se sabe sobre a associação entre consumo e cognição.

Uma pesquisa realizada por cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), entretanto, sugere que o consumo regular de adoçantes artificiais de baixa ou nenhuma caloria pode acelerar o declínio cognitivo, afetando a memória e a fluência verbal ao longo do tempo. O trabalho acompanhou mais de 12 mil pessoas por oito anos, trazendo alguns dos resultados mais abrangentes até agora sobre os possíveis efeitos em longo prazo desses substitutos do açúcar na saúde do cérebro.

Dados

A pesquisadora Claudia Kimie Suemoto relata que o resultado do estudo mostrou uma associação significativa entre maior consumo de aspartame, sacarina, acessulfame-K, eritritol, sorbitol e xilitol a um declínio mais rápido na cognição global. Assim, prejudicando particularmente os domínios da memória e da fluência verbal. “Os participantes que consumiram as maiores quantidades de adoçantes em geral apresentaram uma taxa 62% maior de declínio cognitivo global em comparação àqueles com consumo mais baixo”, pontua a docente da disciplina de Geriatria da FMUSP.

Quando divididos por tipo de adoçante avaliado, somente a tagatose não apresentou qualquer ligação com o declínio cognitivo na análise geral. Já a sucralose, adoçante bastante usado atualmente, não fez parte do estudo. “Isso porque não estava entre os mais consumidos nos anos da pesquisa, que começou em 2008”, detalha. Apesar disso, outros estudos já levantaram problemas semelhantes sobre a sucralose.

Fica o alerta

De acordo com a pesquisadora, o estudo traz um avanço significativo na compreensão dos possíveis efeitos dos adoçantes artificiais na função cognitiva em longo prazo. Além disso, mostra que são necessárias mais pesquisas na área. “Já tínhamos evidências sugerindo que os adoçantes poderiam ser prejudiciais em doenças cardiovasculares e câncer, e agora temos mais uma comprovação relacionada à cognição”, reforça. O artigo ‘Association between consumption of low- and no-calorie artificial sweeteners and cognitive decline’ foi publicado em 2025 na revista científica Neurology.

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