Embora no Brasil não existam estatísticas oficiais sobre as alergias alimentares, a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) acredita que a prevalência nacional se assemelha à literatura internacional. Sendo assim, é possível estimar que, no Brasil, cerca de 8% das crianças com até dois anos de idade e 2% dos adultos sofram com algum tipo de alergia alimentar.
Os alimentos que mais causam alergias são leite e ovo, especialmente entre crianças, além de trigo, amendoim, castanhas, nozes, camarão, mariscos e peixes. De acordo com o médico alergologista Celso Henrique de Oliveira, do Vera Cruz Hospital, a alergia alimentar é uma resposta do sistema imunológico a proteínas específicas.
Assim, podem ocorrer diversas reações e, nos casos leves, dentre as mais comuns está a dor abdominal. Entretanto, em casos graves pode ocorrer anafilaxia, com risco de parada respiratória, e até mesmo óbito. “A anafilaxia é uma reação muito rápida, e o principal perigo está em subestimar os sintomas. A pessoa pode parecer bem e, em poucos minutos, desmaiar ou ter uma crise grave de asma”, alerta o médico.
Reação cruzada
Para os alérgicos, mesmo traços mínimos desses ingredientes – que podem estar presentes em receitas ou em utensílios contaminados – têm a capacidade de desencadear reações severas. Isso ocorre porque o contato mínimo com o alérgeno tende a provocar uma resposta intensa. Por esse motivo, é essencial tomar muito cuidado para evitar a contaminação cruzada, tanto em casa quanto em locais como restaurantes e escolas.
Em alguns casos, é possível recorrer à dessensibilização oral. Este tratamento, realizado sob supervisão médica, consiste na introdução gradual e controlada do alimento causador da alergia a fim de reeducar o organismo. “Embora seja eficaz para algumas alergias, como a leite e ovo, o método ainda não é indicado para todos os casos, inclui amendoim e frutos do mar”, pondera o médico.
Diferenças importantes
A nutricionista Lígia Vieira Carlos, também do Vera Cruz, reforça a importância de diferenciar alergia de intolerância alimentar. A intolerância é causada por uma deficiência enzimática e não envolve o sistema imunológico – como no caso da intolerância à lactose. “Já a alergia provoca uma reação imunológica que pode ser confirmada por exames específicos”, explica.
Por isso, a conscientização da família e o planejamento alimentar são essenciais para garantir a segurança e o bem-estar dos pacientes. O tratamento mais eficaz continua sendo a exclusão total do alimento alergênico. Além disso, ler rótulos com atenção, higienizar utensílios e separar os alimentos são atitudes fundamentais para prevenir acidentes.
A legislação brasileira também é uma aliada porque exige a rotulagem clara de alérgenos em alimentos industrializados, o que contribui para a segurança dos consumidores. “Conviver com alergia alimentar exige uma mudança de mentalidade e de hábitos. Mas, com informação, apoio da equipe de saúde e conscientização das famílias é possível levar uma vida saudável e segura”, conclui o alergologista.

