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Dores pélvicas intensas

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Impactos da endometriose na adolescência

Escrito por: Fernanda Ortiz

A endometriose é uma doença crônica que afeta cerca de 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva. No entanto, os primeiros sinais podem surgir ainda na adolescência, um período crítico de transição física e emocional. Com sintomas que podem ser confundidos com cólicas menstruais comuns, essa condição pode levar anos para ser identificada – seja pela falta de indicativos ou desconhecimento da doença por profissionais da saúde. O diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais para evitar impactos negativos na qualidade de vida. Portanto, queixas de dores pélvicas intensas e persistentes durante o período menstrual não devem ser menosprezadas, mas sim observadas com atenção pelo médico especialista.

Na endometriose, o endométrio (camada que reveste o útero) passa a crescer do lado de fora, podendo atingir outros órgãos na cavidade abdominal levando a sintomas dolorosos. As causas não são totalmente conhecidas, mas, uma delas é a menstruação retrógrada. Nesta condição, o sangue menstrual volta pelas tubas uterinas, permitindo que fragmentos do endométrio se implantem em outras áreas. Outras hipóteses incluem predisposição genética, alterações no sistema imunológico e problemas hormonais, que podem levar ao crescimento anormal do tecido endometrial fora do útero.

De acordo com o médico ginecologista Thiers Soares, do setor de Endoscopia Ginecológica do Hospital Universitário Pedro Ernesto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e do Hospital Federal Cardoso Fontes, a endometriose pode ser desafiadora na adolescência devido ao atraso no diagnóstico. “Ainda que para muitas mulheres os sintomas sejam atípicos nessa faixa etária, para outras podem se manifestar desde a primeira menstruação”, orienta.

Segundo dados da Associação Americana de Endometriose, 66% das mulheres adultas com a doença começaram a apresentar os sintomas antes dos 20 anos, mas receberam o diagnóstico correto após 12 anos ou mais. E o atraso no tratamento leva a quadros mais severos.

Sintomas podem ser incapacitantes

Os sintomas da endometriose na adolescência podem variar entre as pacientes e a cólica menstrual isolada não é o mais comum. “As principais manifestações incluem dores pélvicas intensas e persistentes (cólicas incapacitantes) durante o período menstrual, sangramentos irregulares, desconforto durante a evacuação e fadiga crônica”, comenta o ginecologista, que é presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva e Robótica (SOBRACIL). Além disso, a dispareunia (dor durante a relação sexual) e a dor pélvica fora do período menstrual podem ser indicativos da doença.

Consequências do diagnóstico tardio

Quando a endometriose não é diagnosticada e tratada na adolescência, o quadro pode evoluir para complicações graves, como formação de aderências pélvicas, cistos ovarianos e dificuldades reprodutivas no futuro. “Além dos impactos físicos, a doença pode afetar a saúde mental levando à ansiedade e depressão devido às dores abdominais constantes, sangramentos intensos e limitações no dia a dia durante o período menstrual”, observa o especialista.

Por isso, é fundamental que as adolescentes não menosprezem esses sintomas e relatem qualquer tipo de dor ou desconforto menstrual para o ginecologista. “A conscientização sobre a endometriose na adolescência é essencial para que os profissionais da saúde possam suspeitar da doença e solicitar os exames específicos necessários”, enfatiza o médico Thiers Soares.

Tratamento
O tratamento da endometriose na adolescência deve ser definido pelo especialista de acordo com os sintomas e a localização dos focos endometriais. Geralmente, o tratamento envolve uma abordagem multidisciplinar combinando terapias hormonais, controle da dor e suporte psicológico. “Métodos como o uso de contraceptivos hormonais ou anti-inflamatórios podem ser indicados para aliviar os sintomas e evitar a progressão da doença”, orienta o ginecologista.

Para casos mais extremos deve-se analisar a necessidade e os benefícios de realizar uma intervenção cirúrgica minimamente invasiva (laparoscópica ou robótica), para remover os focos de endométrio que causam a dor. Na adolescência, as intervenções cirúrgicas normalmente são indicadas para pacientes com dor pélvica crônica de difícil manejo e que não melhoraram com outros tratamentos.

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